Um Argumento teleológico da existência de Deus, também chamado de argumento da criação, é um argumento a posteriori para a existencia de Deus com base na criação aparente e propósito na natureza,
para além do âmbito de qualquer atividade humana. Vários conceitos de
teleologia são desenvolvidos por filósofos antigos e clássicos, como Platao, que propôs um artifice divino, outros, nomeadamente Aristoteles, rejeitaram essa conclusão em favor de uma teleologia mais naturalista.
O argumento teleológico
Diz que os projetos implicam um designer, e o
universo mostra marcas de design, então o universo foi projetado.
Claramente, toda forma de vida na história da Terra tem sido altamente
complexa. Um único fio de DNA equivale a um volume da Enciclopédia
Britânica. O cérebro humano tem cerca de 10 bilhões de gigabytes de
capacidade. Além das coisas viventes aqui na Terra, todo o universo
parece ter sido projetado para a vida. Literalmente centenas de
condições são necessárias para a vida na Terra - tudo, da densidade de
massa do universo à atividade sísmica, deve ser ajustado para que a
vida possa existir. A chance de todas estas coisas aleatoriamente
acontecendo é, literalmente, impossível. A probabilidade contra isso
acontecer é muitas ordens de magnitude maior do que o número de
partículas atômicas em todo o universo! Além de demonstrar a existência de Deus, o argumento teleológico expõe
falhas na teoria da evolução. O movimento do Design Inteligente na
ciência aplica a teoria da informação aos sistemas de vida e mostra que o
acaso não pode sequer começar a explicar a complexidade da vida. Na
verdade, até mesmo as bactérias unicelulares são tão complexas que, sem
todas as suas partes trabalhando em conjunto e ao mesmo tempo, elas não
teriam potencial de sobrevivência.
O argumento cosmológico salienta a necessidade de explicar a
causa do movimento. Tudo que se move tem que ser movido por outra
coisa. Mas essa corrente de motores não
podem ir ao infinito, um pressuposto fundamental, porque então haveria nenhum
primeiro motor e, portanto, nenhum outro autor.
Temos de chegar, portanto, em um primeiro motor, Tomas de Aquino conclui, "e isso todos
entendem ser Deus".
Este argumento do movimento não é tão convincente para a nossa
geração científica porque levamos moção de ser natural e resto de ser anormal,
como o princípio da inércia afirma. Muitos filósofos insistem em que a noção de uma série
infinita de motores não é de todo impossível ou contraditória.
O interessante, e
persuasiva, formam a maior parte do argumento cosmológico é Tomás de Aquino
"terceira via", o argumento da contingência. Um Eterno Algo
deve ser admitido por todos, teísta, ateu e agnóstico.
Mas o universo físico não
poderia ser esse algo eterno, porque é obviamente contingente, mutável, sujeito
a decadência. Se cada contingente coisa presente / evento depende de um
contingente anterior coisa / evento, etc ad infinitum, então este não pode fornecer
uma explicação adequada de nada.
Assim, para que haja alguma coisa contingente
no universo, deve haver pelo menos uma coisa que não é contingente, algo que é
necessário em todas as mudanças e auto estabelecida. Neste caso,
"necessário" não se aplica a uma proposição, mas para uma coisa, e isso
significa infinito, eterno, auto causado, auto-existente.
Não
é suficiente dizer que o infinito tempo vai resolver o problema de ser
contingente. Não
importa quanto tempo você tem, depende ainda está sendo dependente de
algo. Tudo contingente dentro do espaço de infinito, em algum momento em
particular, não existe. Mas se houve um momento em que
nada existia, então nada existiria agora.
Uma pergunta ao argumento
cosmológico é : "Se Deus criou o universo, então quem fez Deus?" Se
alguém insiste em que o mundo tinha um motivo, um não deve insistir também que
Deus tinha um motivo?
O argumento teleológico
Este é um dos mais antigos e populares e inteligível
das provas teístas. Ele sugere que há uma nítida analogia entre a ordem ea
regularidade do cosmos e um produto do engenho humano. Voltaire colocá-lo em termos muito simples: "Se um relógio
provar a existência de um relojoeiro, mas o universo não prova a existência de
uma grande Arquiteto, então eu consentimento para ser chamado de
idiota."
Ninguém pode negar o universo parece ter sido
desenhado; instâncias de ordenação intencional estão à nossa volta.
características quase em qualquer lugar pode ser
encontrado de ser mostrar que o universo a ser basicamente amigável à vida,
mente, personalidade e valores. A própria vida é uma função cósmica,
ou seja, um arranjo de coisas muito complexas tanto terrestres e extraterrestres
deve obter antes de vida pode subsistir. A terra
deve ser apenas o tamanho certo, a rotação deve estar dentro de certos limites,
a inclinação deve ser correto para provocar as épocas, a sua terra - água rácio
deve ser um equilíbrio delicado. A nossa estrutura biológica é muito frágil. Um pouco de calor demais ou frio e morremos. Precisamos de luz, mas não demasiado ultravioleta.
Precisamos de calor, mas não muito infravermelho. Vivemos um pouco abaixo
airscreen blindagem nos milhões de mísseis de todos os dias.
Vivemos apenas 10 milhas acima de um rock tela que protege-nos do terrível calor
sob nossos pés. Quem criou todas estas telas e escudos que tornam a nossa
existência terrena é possível?
Mais uma vez somos confrontados com uma
escolha. Ou o universo foi projetado e desenvolveu todas estas
características por acaso. O cosmos é tanto um plano ou um acidente!
A maioria das pessoas tem uma inata repúdio à
noção de acaso porque contradiz a nossa forma de explicar as coisas
normalmente. Chance não é uma
explicação, mas um abandono de explicação.
Mesmo os grandes críticos da teologia natural,
Hume e Kant, traiu uma admiração pelo argumento teleológico. Hume concedeu-lhe uma certa validade limitado. Kant foi ainda mais longe: "Essa
prova será sempre merecem ser tratados com respeito, é o mais velho, o mais
claro e mais em conformidade com a razão humana Nós não temos nada a dizer
contra a razoabilidade ea utilidade desta linha de argumentação,.... mas desejo,
ao contrário, elogiar e incentivar. "
O Argumento Moral
Esta é a mais recente das
provas teístas. O primeiro filósofo a usar foi Kant, que considerou
que as provas tradicionais eram defeituosos. Kant considerou que a
existência de Deus e da imortalidade da alma eram questões de fé, não a razão
especulativa ordinário, que, segundo ele, limita-se a sensação.
Kant argumentou que a lei moral
manda-nos a procurar o bem supremo, com perfeita felicidade como
um resultado lógico. Mas surge um
problema quando nós contemplamos o desagradável fato de que "não há o menor
fundamento na lei moral necessária para uma ligação entre a moralidade e a
felicidade proporcionada em um ser que pertence ao mundo como uma parte
dela." O único postulado,
portanto, que vai dar sentido à experiência moral do homem é "a existência de
uma causa de toda natureza, distinta da própria natureza".
A maioria dos pensadores modernos, que utilizam o argumento
moral de que Deus é um postulado necessário para
explicar a experiência moral. Kant pensava que a lei moral poderia ser
estabelecida pela razão, mas ele chamou de Deus para garantir a recompensa da
virtude. Os pensadores modernos não usam tanto a Deus para
a recompensa como para fornecer uma base para a lei moral, em primeiro
lugar.
"O que
pode ser conhecido sobre Deus é manifesto entre eles, porque Deus tem mostrado a
eles." Desde a criação do mundo invisível sua natureza, ou seja, o seu eterno
poder e divindade, foi claramente percebida nas coisas que foram feitas "
(Romanos 1:19 - 20).
Se Deus realmente existe, então estamos lidando com uma
proposição factual, e aquilo que realmente queremos quando pedimos uma prova
factual de uma proposição não é uma demonstração da sua impossibilidade lógica,
mas um certo grau de prova que irá excluir qualquer dúvida razoável. Algo
pode ser tão provável que exclui qualquer dúvida razoável, sem ser dedutivo ou
analítico ou demonstrativo ou logicamente inevitável. Nós sentimos
que as provas teístas, excluindo o argumento ontológico, se enquadram nesta
categoria.
A.Alves
Colossenses 2:6,7. O nosso relacionamento com Jesus Cristo , é algo que nos transforma de dentro para fora à imagem de Cristo. O texto desenvolve três aspectos deste relacionamento: 1- Nele radicados 2- Nele edificados 3- Crescendo em ações de graça. Esses tres aspectos nos ajudará termos um andar constante em nosso Senhor Jesus Cristo. Este espaço, foi criado para motivar o povo de Deus neste andar constante e crescente. Em Cristo, Alfredo Alves
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017
Corrupção moral universal da humanidade
Moral (do latim moralis "maneira,carater,
comportamento próprio") é a diferenciação de intenções, decisões e
ações entre aquelas que são distinguidas como próprias e as que são
impróprias. Seria importante referir, ainda, quanto à etimologia da palavra "moral", que esta se originou a partir do intento dos romanos traduzirem a palavra grega êthica.
Moral refere-se ao conjunto de regras, padrões e normas adquiridos em uma sociedade por meio da cultura, educação, cotidiano e costumes adquiridos no âmbito social e familiar.
E assim, a palavra moral não traduz por completo, a palavra grega originária. É que êthica possuía, para os gregos, dois sentidos complementares: o primeiro derivava de êthos e significava, numa palavra, a interioridade do ato humano, ou seja, aquilo que gera uma ação genuinamente humana e que brota a partir de dentro do sujeito moral, ou seja, êthos remete-nos para o âmago do agir, para a intenção. Por outro lado, êthica significava também éthos, remetendo-nos para a questão dos hábitos, costumes, usos e regras, o que se materializa na assimilação social dos valores.
A tradução latina do termo êthica para mores "esqueceu" o sentido de êthos (a dimensão pessoal do ato humano), privilegiando o sentido comunitário da atitude valorativa. Dessa tradução incompleta resulta a confusão que muitos, hoje, fazem entre os termos etica e moral.
A queda da raça humana na queda de Adão sempre será coberta em mistério. Por um lado, ela é uma das maiores e mais essenciais doutrinas no cristianismo, está claramente expresso nas Escrituras que ela é verdade, e ela fornece a única explicação adequada para a corrupção moral universal da humanidade. Ao mesmo tempo, contudo, as próprias Escrituras que afirmam a doutrina, oferecem pouca explicação a respeito de como tais coisas podem ser assim, e não oferece nenhuma defesa contra as acusações frequentes de que tal fato é injusto ou desleal. Como pode ser justo Deus imputar o pecado e a culpa de Adão a toda a humanidade?
Quando se fala da corrupção da moral do homem, uma atenção especial deve ser dada ao coração. Nas Escrituras, o coração significa o lugar da mente, vontade e emoções. Ele representa o próprio centro e a essência do ser e da pessoa de alguém. De acordo com as Escrituras, o próprio coração do homem é corrupto e dele flui toda forma de pecado, rebelião e perversidade.
A.Alves
Moral refere-se ao conjunto de regras, padrões e normas adquiridos em uma sociedade por meio da cultura, educação, cotidiano e costumes adquiridos no âmbito social e familiar.
E assim, a palavra moral não traduz por completo, a palavra grega originária. É que êthica possuía, para os gregos, dois sentidos complementares: o primeiro derivava de êthos e significava, numa palavra, a interioridade do ato humano, ou seja, aquilo que gera uma ação genuinamente humana e que brota a partir de dentro do sujeito moral, ou seja, êthos remete-nos para o âmago do agir, para a intenção. Por outro lado, êthica significava também éthos, remetendo-nos para a questão dos hábitos, costumes, usos e regras, o que se materializa na assimilação social dos valores.
A tradução latina do termo êthica para mores "esqueceu" o sentido de êthos (a dimensão pessoal do ato humano), privilegiando o sentido comunitário da atitude valorativa. Dessa tradução incompleta resulta a confusão que muitos, hoje, fazem entre os termos etica e moral.
A queda da raça humana na queda de Adão sempre será coberta em mistério. Por um lado, ela é uma das maiores e mais essenciais doutrinas no cristianismo, está claramente expresso nas Escrituras que ela é verdade, e ela fornece a única explicação adequada para a corrupção moral universal da humanidade. Ao mesmo tempo, contudo, as próprias Escrituras que afirmam a doutrina, oferecem pouca explicação a respeito de como tais coisas podem ser assim, e não oferece nenhuma defesa contra as acusações frequentes de que tal fato é injusto ou desleal. Como pode ser justo Deus imputar o pecado e a culpa de Adão a toda a humanidade?
A declaração de que “todos os homens nascem em pecado” significa que Deus imputou o pecado e a culpa de Adão a cada um de
seus descendentes. Todos os homens desde o nascimento são considerados e
tratados como pecadores por causa do pecado de Adão. É importante notar
que esta não é apenas uma “teoria teológica” ou “construção
filosófica,” mas o claro ensino das Escrituras e é demonstrado
constantemente no dia a dia.
Em Romanos 5:12-19
encontra-se o mais importante discurso em todas as Escrituras a respeito
da queda de Adão e a imputação de seu pecado a toda a raça humana.Quando se fala da corrupção da moral do homem, uma atenção especial deve ser dada ao coração. Nas Escrituras, o coração significa o lugar da mente, vontade e emoções. Ele representa o próprio centro e a essência do ser e da pessoa de alguém. De acordo com as Escrituras, o próprio coração do homem é corrupto e dele flui toda forma de pecado, rebelião e perversidade.
A.Alves
terça-feira, 14 de fevereiro de 2017
Filosofia na Biblia
A Filosofia pode ser vista em toda a Bíblia, principalmente
quando observamos a área da ética e da política, porém, expecificamente em Eclesiastes podemos notar uma linguagem filosofica mais abrangente. Eclesiastes é uma palavra grega que
quer dizer algo como “pregador”. Em sua raiz, está a palavra “Ecclesia”, que
significa “Igreja”. Eclesiastes e bastante diferenciado dos
demais quando observado de perto.
O ponto principal do livro é a fugacidade e transitoriedade de tudo na vida. A palavra “vaidade” é utilizada inúmeras vezes para indicar o quanto o espírito humano é variável e falível, não possuindo aporte suficiente para perceber que o fluxo de mudanças captado pelos sentidos é ilusório. Neste ponto, é impossível não associar as ideias de Eclesiastes com Parmênides e a oposição ao panta rhei de Heráclito. Para compreender melhor, é preciso lembrar um pouco destes conceitos.
Os pensadores que vieram antes de Sócrates eram chamados de filósofos da physis. Eles procuravam um elemento que fosse comum à constituição de todas as coisas, chamado de arché. Assim, Tales pensou na água, Empédocles nos quatro elementos, Anaxímenes no ar; Anaximandro imaginou uma substância intangível, que preenchesse não só os corpos físicos, mas também os espaços vazios, o ápeiron. Heráclito muda substancialmente o foco da pesquisa filosófica. A constituição cosmológica já não se dá no campo físico, mas no devir, na constante transformação. Desta forma, suplantamos as instâncias físicas e inauguramos uma visão metafísica da realidade. Ele é autor de uma frase famosíssima em filosofia que diz: “não se banha duas vezes no mesmo rio”. Isso significa que, por trás de uma aparente imobilidade, encontra-se um universo dinâmico, de um dia para outro, milhões de células do meu corpo se esvaíram, e outras nasceram; as minhas ideias e impressões já variaram, ainda que minimamente. É exatamente isso o que quer dizer panta rhei: tudo flui, em inesgotável transformação. E isso se traduz em um devir eterno, que tem até mesmo uma conotação física: o quente esfria, o grande encolhe, o claro escurece. A mudança, portanto, se explica pelo fluxo de contrários, que acabam por se harmonizar no cosmos. Parmênides trabalha no polo oposto. Para ele, tudo é sempre e permanentemente igual. O movimento pensado por Heráclito é, este sim, ilusório. Isso porque ele pensa a realidade como a existência do Ser, nas coisas que existem essencialmente. Se o Ser é o que o identifica no mundo, não há a possibilidade de ele não ser.
É que Parmênides entende que não é possível que algo exista e não exista ao mesmo tempo. Quando algo está em movimento, este algo se desposiciona de seu próprio ser, não está mais onde deveria estar, transforma-se em não-ser. E não é possível alguma coisa ser e não ser ao mesmo tempo. A explicação é que o universo não se movimenta em opostos: quente e frio, grande e pequeno, escuro e claro, como gostaria Heráclito – são todos aspectos de um mesmo Ser. Se o céu está escuro ou claro, ele não deixa de ser céu. Se o tempo está frio ou quente, ele não deixa de ser tempo. Se um objeto está presente ou ausente, ele não perde sua essência, a de ser um objeto bem definido. A impressão que temos de se tratar de coisas diferentes provém de nossa incapacidade de perceber claramente a unidade universal, porque nossos sentidos são frágeis. Eclesiastes alinha-se a Parmênides na questão da imobilidade do Ser, pelo menos enquanto o mundo que se refere a aparências. O termo “vaidade” ganha aqui seus contornos definitivos. De toda a sua poética, é possível extrair que a subsistência da realidade se dá pela impossibilidade da transformação:
O ponto principal do livro é a fugacidade e transitoriedade de tudo na vida. A palavra “vaidade” é utilizada inúmeras vezes para indicar o quanto o espírito humano é variável e falível, não possuindo aporte suficiente para perceber que o fluxo de mudanças captado pelos sentidos é ilusório. Neste ponto, é impossível não associar as ideias de Eclesiastes com Parmênides e a oposição ao panta rhei de Heráclito. Para compreender melhor, é preciso lembrar um pouco destes conceitos.
Os pensadores que vieram antes de Sócrates eram chamados de filósofos da physis. Eles procuravam um elemento que fosse comum à constituição de todas as coisas, chamado de arché. Assim, Tales pensou na água, Empédocles nos quatro elementos, Anaxímenes no ar; Anaximandro imaginou uma substância intangível, que preenchesse não só os corpos físicos, mas também os espaços vazios, o ápeiron. Heráclito muda substancialmente o foco da pesquisa filosófica. A constituição cosmológica já não se dá no campo físico, mas no devir, na constante transformação. Desta forma, suplantamos as instâncias físicas e inauguramos uma visão metafísica da realidade. Ele é autor de uma frase famosíssima em filosofia que diz: “não se banha duas vezes no mesmo rio”. Isso significa que, por trás de uma aparente imobilidade, encontra-se um universo dinâmico, de um dia para outro, milhões de células do meu corpo se esvaíram, e outras nasceram; as minhas ideias e impressões já variaram, ainda que minimamente. É exatamente isso o que quer dizer panta rhei: tudo flui, em inesgotável transformação. E isso se traduz em um devir eterno, que tem até mesmo uma conotação física: o quente esfria, o grande encolhe, o claro escurece. A mudança, portanto, se explica pelo fluxo de contrários, que acabam por se harmonizar no cosmos. Parmênides trabalha no polo oposto. Para ele, tudo é sempre e permanentemente igual. O movimento pensado por Heráclito é, este sim, ilusório. Isso porque ele pensa a realidade como a existência do Ser, nas coisas que existem essencialmente. Se o Ser é o que o identifica no mundo, não há a possibilidade de ele não ser.
É que Parmênides entende que não é possível que algo exista e não exista ao mesmo tempo. Quando algo está em movimento, este algo se desposiciona de seu próprio ser, não está mais onde deveria estar, transforma-se em não-ser. E não é possível alguma coisa ser e não ser ao mesmo tempo. A explicação é que o universo não se movimenta em opostos: quente e frio, grande e pequeno, escuro e claro, como gostaria Heráclito – são todos aspectos de um mesmo Ser. Se o céu está escuro ou claro, ele não deixa de ser céu. Se o tempo está frio ou quente, ele não deixa de ser tempo. Se um objeto está presente ou ausente, ele não perde sua essência, a de ser um objeto bem definido. A impressão que temos de se tratar de coisas diferentes provém de nossa incapacidade de perceber claramente a unidade universal, porque nossos sentidos são frágeis. Eclesiastes alinha-se a Parmênides na questão da imobilidade do Ser, pelo menos enquanto o mundo que se refere a aparências. O termo “vaidade” ganha aqui seus contornos definitivos. De toda a sua poética, é possível extrair que a subsistência da realidade se dá pela impossibilidade da transformação:
“Uma
geração passa, outra vem; mas a terra sempre subsiste. O sol se levanta, o sol
se põe; apressa-se a voltar a seu lugar; em seguida, se levanta de novo. O
vento vai em direção ao sul, vai em direção ao norte, volteia e gira nos mesmos
circuitos. Todos os rios se dirigem para o mar, e o mar não transborda. Em
direção ao mar, para onde correm os rios, eles continuam a correr. Todas as
coisas se afadigam, mais do que se pode dizer. A vista não se farta de ver, o
ouvido nunca se sacia de ouvir. O que foi é o que será: o que acontece é o que
há de acontecer. Não há nada de novo debaixo do sol. Se é encontrada alguma
coisa da qual se diz: Veja: isto é novo, ela já existia nos tempos passados.
Não há memória do que é antigo, e nossos descendentes não deixarão memória
junto daqueles que virão depois deles.”
Ao afirmar que “não há
nada de novo sob o Sol”, constata-se e estabelece uma diferenciação
que, desta vez, leva-nos a uma referência platônica, o cuidado de observar que
estas coisas se passam “debaixo do Sol” indica que o autor imagina existir um
lugar onde habite a essência das coisas. O que estaria acima do Sol? Deus, com
certeza. Eterno, imutável, onipresente, absoluto. O que torna possível identificá-lo
com o mundo das ideias de Platão, onde seria possível enxergar a essência das
coisas, para Platão, são o habitáculo de um mundo
inteligível, extra-sensório, que somente é perceptível pelo intelecto. Ambos os
autores se afastam radicalmente do materialismo para vislumbrar a questão do
Ser permanente de Parmênides.
Se o mundo é imutável (“Reconheci que tudo o que Deus fez subsistirá sempre, sem que se possa ajuntar nada, nem nada suprimir. (...) Aquilo que é, já existia, e aquilo que há de ser, já existiu; Deus chama de novo o que passou.”), de nada vale ao ser humano procurar antecipar ou postergar sua própria existência. A vida é feita para ser vivida no momento, sem, no entanto, a absorção de princípios materialistas. Essa característica aproxima Eclesiastes dos estoicos , e afasta dos epicuristas, porque essa vivência se dá sem uma busca desenfreada de prazer, mas de resignação pelo que é possível alcançar. O que provoca sua marca de angústia é uma constatação existencial de que a própria vida é um mistério. Esse é o grande diferencial desse livro com relação aos demais presentes na Bíblia, que procuram oferecer como solução a vida futura. O Eclesiastes pensa o presente e a vida inserida no tempo perceptível.
O livro de Eclesiastes toma, portanto, um aspecto negativista e pessimista.
O livro trata do fatalismo, predeterminismo, necessarianismo, necessitarismo e determinismo. Em Eclesiastes, temos a morte como fundamento de igualdade ao ser humano: o rei e o plebeu, o sábio e o insensato, o poderoso e o escravo, todos tem um final comum e um fardo a carregar – o esquecimento.
O livro é, bem mais que um tratado de teologia ou uma obra de filosofia, vai muito além disso ao retratar, com precisao, toda a fragilidade das convicçoes dos seres humanos.
Se o mundo é imutável (“Reconheci que tudo o que Deus fez subsistirá sempre, sem que se possa ajuntar nada, nem nada suprimir. (...) Aquilo que é, já existia, e aquilo que há de ser, já existiu; Deus chama de novo o que passou.”), de nada vale ao ser humano procurar antecipar ou postergar sua própria existência. A vida é feita para ser vivida no momento, sem, no entanto, a absorção de princípios materialistas. Essa característica aproxima Eclesiastes dos estoicos , e afasta dos epicuristas, porque essa vivência se dá sem uma busca desenfreada de prazer, mas de resignação pelo que é possível alcançar. O que provoca sua marca de angústia é uma constatação existencial de que a própria vida é um mistério. Esse é o grande diferencial desse livro com relação aos demais presentes na Bíblia, que procuram oferecer como solução a vida futura. O Eclesiastes pensa o presente e a vida inserida no tempo perceptível.
O livro de Eclesiastes toma, portanto, um aspecto negativista e pessimista.
O livro trata do fatalismo, predeterminismo, necessarianismo, necessitarismo e determinismo. Em Eclesiastes, temos a morte como fundamento de igualdade ao ser humano: o rei e o plebeu, o sábio e o insensato, o poderoso e o escravo, todos tem um final comum e um fardo a carregar – o esquecimento.
O livro é, bem mais que um tratado de teologia ou uma obra de filosofia, vai muito além disso ao retratar, com precisao, toda a fragilidade das convicçoes dos seres humanos.
*Epicureus - materia e eterna, nao temos criador.
*Estoicos- panteistas, criam que Deus era parte de tudo.
A.Alves
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017
Sistema Politico e a corrupcao
“A corrupção é uma praga que tem efeitos
corrosivos nas sociedades. Ela sabota a democracia e o texto da lei,
leva a violações dos direitos humanos, distorce os mercados, corrói a
qualidade de vida e facilita o crime organizado, terrorismo e outras
ameaças ao florescimento da segurança da humanidade. A corrupção fere o
pobre desproporcionalmente através dos desvios de fundos que deveriam ir
para o desenvolvimento, compromete a habilidade do governo em prover
serviços básicos, alimenta a desigualdade e a injustiça, além de
desencorajar a ajuda e o investimento externo. Corrupção é o elemento
chave no mau desempenho das economias e o principal obstáculo ao
desenvolvimento e ao combate à pobreza”.
De que corrupção nós estamos falando?
A Bíblia trata do tema da corrupção da raça humana e do plano redentor de Deus, do Gênesis ao Apocalipse; a corrupção “lato sensu” (o pecado, de uma forma geral), que se desdobra em corrupções “strito sensu” (manifestações específicas da rebelião humana). Nosso foco é na corrupção como ferramenta de opressão econômica, afronta ao pobre; a negação do acesso do outro aos direitos básicos pela mal uso de dinheiro público, pagamentos de propinas, superfaturamentos, etc…
A corrupção se caracteriza em três tipos: a incidental, a sistemática e a sistêmica. O fato é que “corrupção” andará sempre de mãos dadas com a pobreza e, por esse motivo, ela é uma questão de ordem moral e de direitos humanos.
Vejamos alguns efeitos práticos da corrupção: o alto custo do acesso aos serviços de saúde e educação; padrões de saúde e segurança públicas precárias, riscos ambientais, violação dos direitos humanos, precariedade do acesso à justiça.
O que a Bíblia tem a dizer sobre o assunto?
Ao refletirmos nas Escrituras, o que se espera que seja a práxis da igreja de Cristo? “E criou Deus o homem à Sua imagem: à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou” (Gn 1.27). “E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom; e foi a tarde e a manhã, o dia sexto” (Gn 1.31).
A desobediência da criatura humana abre as portas para toda a cultura de violência e morte que vai descaracterizar a imagem de Deus no homem. “A terra, porém, estava corrompida diante de Deus, e cheia de violência. Viu Deus a terra, e eis que estava corrompida; porque toda a carne havia corrompido o seu caminho sobre a terra” (Gn 6.11-12).
A corrupção, como a conhecemos, é talvez a violência em sua forma mais cruel. Não é possível dissociarmos a ideia de corrupção daquilo que entendemos como violência contra a dignidade humana, seja pela promoção da precarização dos serviços públicos, pela facilitação do crime ou pelo incentivo ao aumento da miséria.
A corrupção aflige a terra desde a queda. Não é surpresa, portanto, que muitos a vejam como algo normal, inevitável; um mal necessário na condução dos negócios e a forma como o rico e o poderoso levam sempre vantagem sobre o pobre e o fraco. Porém as Escrituras deixam claro que a corrupção é uma injustiça e, mais do que isso, elas requerem um posicionamento contra a corrupção.
O relato de corrupção, propina ou suborno mais conhecido da história está na Bíblia. Foram as 30 moedas de prata dadas pelos sacerdotes judeus a Judas Iscariotes para que ele os levassem até o Jardim do Getsemani, onde Jesus e os discípulos passavam a noite. Lá Judas mostrou a eles através do beijo da traição quem era Jesus. Judas era ganancioso e o dinheiro significava para ele, muito mais do que lealdade ou amor. Ele foi motivado por ganância e ganho pessoal. Quando ele se deu conta do mal feito e das consequências da sua traição, jogou as moedas no pátio do templo e cometeu suicídio (Mt 26 e 27; Mc 14; Lc 22).
Corrupção em forma de propina ou suborno é condenada ao longo de toda a Escritura Sagrada. Samuel foi o primeiro dos profetas do Antigo Testamento e um grande líder em Israel. Porém, mais tarde em sua vida, em sua casa, ele acusou os seus filhos de não andarem em seus caminhos. Foram avarentos, aceitaram subornos, torceram a lei (1 Sm 8.3). A distorção da justiça é uma das piores consequências do suborno porque permite que o rico explore o pobre. Na despedida que Samuel fez junto ao seu povo na coroação do rei Saul, ele perguntou: “…diga-me de quem recebi suborno e com ele encobri meus olhos, e eu vo-lo restituirei?” (1 Sm 12.3). Ele teve uma vida exemplar e a multidão não hesitou em responder: “em nada nos defraudaste, nem nos oprimiste, nem recebeste coisa alguma da mão de ninguém” (1 Sm 12.4).
Davi, rei de Israel, fez uma pergunta retórica no Salmo 24: “Quem subirá ao monte do Senhor ou quem estará no seu lugar santo? Aquele que é limpo de mãos e puro de coração. Que não entrega a sua alma à vaidade e nem jura enganosamente." No Salmo 26, porém, ele apresenta o homem que tem a mão direita cheia de subornos em contraste com o outro homem do Salmo 15.5 que “não empresta o seu dinheiro visando lucro e nem aceita suborno contra o inocente”.
O profeta Isaías elogia “…aquele cuja mão não aceita suborno.” (Is 33.15). E o profeta Amós denuncia “vocês oprimem o justo, recebem suborno e impedem que se faça justiça ao pobre nos tribunais” (Amós 5.12).
Escrevendo sobre a Bíblia e a corrupção, Hermes C. Fernandes apresenta textos bíblicos categorizados em modos distintos de fraude financeira nas esferas pública e privada, mostrando a corrupção como algo inaceitável diante de Deus:
- Advertência contra a corrupção no funcionalismo público: Lc 3.12-13.
- Advertência contra a corrupção policial: Lc 3.14.
- Advertência contra a corrupção no Poder Judiciário: Dt 16.19-20; Ex 23.8; Pv 17.23; Is 5.22,23; Sl 82.2-5a; Lv 19.15.
- Independência entre os poderes: Mq 7.2-3.
- Advertência contra a corrupção no Poder Executivo: Is 1.23; Pv 29.4; Pv 16.12.
- Advertência acerca dos assessores corruptos: Pv 25.5.
- Advertência contra a corrupção no Poder Legislativo: Is 10.1-4
- Advertência contra a corrupção e a ganância no meio empresarial: Ez 22.12-13a; Pv 16.8; Pv 22.16.
- Advertência contra juros absurdos praticados pelo Sistema Financeiro: Pv 28.8; Ez 18.5,7-9; Ex 22.25; Sl 112.4-5,9.
- Advertência acerca dos Direitos trabalhistas: Jó 31.13-14; Ml 3.5; Cl 4.1; Lv 19.13.
- Advertência contra lucros desonestos: Os 12.7; Dt 25.13-16; Pv 11.1; Pv 16.11; Mq 6.11; Lv 19.35-36.
No primeiro século depois de Cristo, o apóstolo Paulo se recusou a pagar suborno ao governador romano Félix. O governador admitiu que Paulo não havia feito nada de errado, mas ainda assim o manteve na prisão porque “esperava que Paulo oferecesse a ele algum dinheiro” (At 24.26). Esse tempo na prisão poderia ser gasto em visitas e encorajamento às igrejas que Paulo havia fundado, ou (quem sabe) fazendo a tão sonhada viagem missionária à Espanha. Nenhuma “justificativa” para o suborno poderia ser maior do que essa que o apóstolo teve, mas ele se recusou a aceitá-lo. Essas passagens nos mostram que, tanto no Antigo como no Novo Testamentos, o suborno é entendido como um pecado contra Deus. Uma perversão da justiça que permite com que o rico explore o pobre - e dentre os pobres, mulheres e crianças são os que mais sofrem. Abusos de poder que só satisfazem a ganância.
A corrupção não é apenas moralmente errada. Ela mina o desenvolvimento econômico, distorce a lisura na tomada de decisões e destrói a coesão social.
A corrupção mata! A corrupção é desonra a Deus e, por isso, é a antítese do amor ao próximo.
Considerando que a corrupção, na perspectiva que está sendo descrita, é um dos maiores, senão o maior, ato de violência direta ou indireta do homem contra o seu semelhante e contra a criação, o que, então, um discípulo de Jesus pode fazer? Que contribuição a igreja pode dar na luta contra a corrupção? Considerando que toda lei de Deus converge em Cristo, atraindo-nos pelo amor e conclamando-nos ao amor a Deus e ao próximo (Mt 22.36-38), aquele que é a expressão perfeita da vontade do Pai para o homem, nos aponta o caminho a seguir.
A.Alves
De que corrupção nós estamos falando?
A Bíblia trata do tema da corrupção da raça humana e do plano redentor de Deus, do Gênesis ao Apocalipse; a corrupção “lato sensu” (o pecado, de uma forma geral), que se desdobra em corrupções “strito sensu” (manifestações específicas da rebelião humana). Nosso foco é na corrupção como ferramenta de opressão econômica, afronta ao pobre; a negação do acesso do outro aos direitos básicos pela mal uso de dinheiro público, pagamentos de propinas, superfaturamentos, etc…
A corrupção se caracteriza em três tipos: a incidental, a sistemática e a sistêmica. O fato é que “corrupção” andará sempre de mãos dadas com a pobreza e, por esse motivo, ela é uma questão de ordem moral e de direitos humanos.
Vejamos alguns efeitos práticos da corrupção: o alto custo do acesso aos serviços de saúde e educação; padrões de saúde e segurança públicas precárias, riscos ambientais, violação dos direitos humanos, precariedade do acesso à justiça.
O que a Bíblia tem a dizer sobre o assunto?
Ao refletirmos nas Escrituras, o que se espera que seja a práxis da igreja de Cristo? “E criou Deus o homem à Sua imagem: à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou” (Gn 1.27). “E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom; e foi a tarde e a manhã, o dia sexto” (Gn 1.31).
A desobediência da criatura humana abre as portas para toda a cultura de violência e morte que vai descaracterizar a imagem de Deus no homem. “A terra, porém, estava corrompida diante de Deus, e cheia de violência. Viu Deus a terra, e eis que estava corrompida; porque toda a carne havia corrompido o seu caminho sobre a terra” (Gn 6.11-12).
A corrupção, como a conhecemos, é talvez a violência em sua forma mais cruel. Não é possível dissociarmos a ideia de corrupção daquilo que entendemos como violência contra a dignidade humana, seja pela promoção da precarização dos serviços públicos, pela facilitação do crime ou pelo incentivo ao aumento da miséria.
A corrupção aflige a terra desde a queda. Não é surpresa, portanto, que muitos a vejam como algo normal, inevitável; um mal necessário na condução dos negócios e a forma como o rico e o poderoso levam sempre vantagem sobre o pobre e o fraco. Porém as Escrituras deixam claro que a corrupção é uma injustiça e, mais do que isso, elas requerem um posicionamento contra a corrupção.
O relato de corrupção, propina ou suborno mais conhecido da história está na Bíblia. Foram as 30 moedas de prata dadas pelos sacerdotes judeus a Judas Iscariotes para que ele os levassem até o Jardim do Getsemani, onde Jesus e os discípulos passavam a noite. Lá Judas mostrou a eles através do beijo da traição quem era Jesus. Judas era ganancioso e o dinheiro significava para ele, muito mais do que lealdade ou amor. Ele foi motivado por ganância e ganho pessoal. Quando ele se deu conta do mal feito e das consequências da sua traição, jogou as moedas no pátio do templo e cometeu suicídio (Mt 26 e 27; Mc 14; Lc 22).
Corrupção em forma de propina ou suborno é condenada ao longo de toda a Escritura Sagrada. Samuel foi o primeiro dos profetas do Antigo Testamento e um grande líder em Israel. Porém, mais tarde em sua vida, em sua casa, ele acusou os seus filhos de não andarem em seus caminhos. Foram avarentos, aceitaram subornos, torceram a lei (1 Sm 8.3). A distorção da justiça é uma das piores consequências do suborno porque permite que o rico explore o pobre. Na despedida que Samuel fez junto ao seu povo na coroação do rei Saul, ele perguntou: “…diga-me de quem recebi suborno e com ele encobri meus olhos, e eu vo-lo restituirei?” (1 Sm 12.3). Ele teve uma vida exemplar e a multidão não hesitou em responder: “em nada nos defraudaste, nem nos oprimiste, nem recebeste coisa alguma da mão de ninguém” (1 Sm 12.4).
Davi, rei de Israel, fez uma pergunta retórica no Salmo 24: “Quem subirá ao monte do Senhor ou quem estará no seu lugar santo? Aquele que é limpo de mãos e puro de coração. Que não entrega a sua alma à vaidade e nem jura enganosamente." No Salmo 26, porém, ele apresenta o homem que tem a mão direita cheia de subornos em contraste com o outro homem do Salmo 15.5 que “não empresta o seu dinheiro visando lucro e nem aceita suborno contra o inocente”.
O profeta Isaías elogia “…aquele cuja mão não aceita suborno.” (Is 33.15). E o profeta Amós denuncia “vocês oprimem o justo, recebem suborno e impedem que se faça justiça ao pobre nos tribunais” (Amós 5.12).
Escrevendo sobre a Bíblia e a corrupção, Hermes C. Fernandes apresenta textos bíblicos categorizados em modos distintos de fraude financeira nas esferas pública e privada, mostrando a corrupção como algo inaceitável diante de Deus:
- Advertência contra a corrupção no funcionalismo público: Lc 3.12-13.
- Advertência contra a corrupção policial: Lc 3.14.
- Advertência contra a corrupção no Poder Judiciário: Dt 16.19-20; Ex 23.8; Pv 17.23; Is 5.22,23; Sl 82.2-5a; Lv 19.15.
- Independência entre os poderes: Mq 7.2-3.
- Advertência contra a corrupção no Poder Executivo: Is 1.23; Pv 29.4; Pv 16.12.
- Advertência acerca dos assessores corruptos: Pv 25.5.
- Advertência contra a corrupção no Poder Legislativo: Is 10.1-4
- Advertência contra a corrupção e a ganância no meio empresarial: Ez 22.12-13a; Pv 16.8; Pv 22.16.
- Advertência contra juros absurdos praticados pelo Sistema Financeiro: Pv 28.8; Ez 18.5,7-9; Ex 22.25; Sl 112.4-5,9.
- Advertência acerca dos Direitos trabalhistas: Jó 31.13-14; Ml 3.5; Cl 4.1; Lv 19.13.
- Advertência contra lucros desonestos: Os 12.7; Dt 25.13-16; Pv 11.1; Pv 16.11; Mq 6.11; Lv 19.35-36.
No primeiro século depois de Cristo, o apóstolo Paulo se recusou a pagar suborno ao governador romano Félix. O governador admitiu que Paulo não havia feito nada de errado, mas ainda assim o manteve na prisão porque “esperava que Paulo oferecesse a ele algum dinheiro” (At 24.26). Esse tempo na prisão poderia ser gasto em visitas e encorajamento às igrejas que Paulo havia fundado, ou (quem sabe) fazendo a tão sonhada viagem missionária à Espanha. Nenhuma “justificativa” para o suborno poderia ser maior do que essa que o apóstolo teve, mas ele se recusou a aceitá-lo. Essas passagens nos mostram que, tanto no Antigo como no Novo Testamentos, o suborno é entendido como um pecado contra Deus. Uma perversão da justiça que permite com que o rico explore o pobre - e dentre os pobres, mulheres e crianças são os que mais sofrem. Abusos de poder que só satisfazem a ganância.
A corrupção não é apenas moralmente errada. Ela mina o desenvolvimento econômico, distorce a lisura na tomada de decisões e destrói a coesão social.
A corrupção mata! A corrupção é desonra a Deus e, por isso, é a antítese do amor ao próximo.
Considerando que a corrupção, na perspectiva que está sendo descrita, é um dos maiores, senão o maior, ato de violência direta ou indireta do homem contra o seu semelhante e contra a criação, o que, então, um discípulo de Jesus pode fazer? Que contribuição a igreja pode dar na luta contra a corrupção? Considerando que toda lei de Deus converge em Cristo, atraindo-nos pelo amor e conclamando-nos ao amor a Deus e ao próximo (Mt 22.36-38), aquele que é a expressão perfeita da vontade do Pai para o homem, nos aponta o caminho a seguir.
A.Alves
Democracia-Monarquia-Hierocracia-Teocracia
Governo e a forma política de um Estado.
É um conjunto dos que tem a seu cargo a administração de um Estado.
Governo é: regulamento, norma, “exemplo”.
Existem várias formas de governo. As mais comuns.
Democracia: “Demos” primeira porção da palavra significa “Povo”, que indica o governo entregue na mão do Povo.
Monarquia: O governo de um único homem ou de um rei.
Hierocracia: O governo dos sacerdotes.
Finalmente Teocracia; Governo de Deus.
A palavra “Théos”, Deus e “Kratéo”, governo. Governo de Deus.
Como surgiu a Teocracia? Deus reclamou o povo de Israel como sua propriedade, por havê-los remido da servidão aos egípcios.
Os grandes “atos libertadores” da época da saída de Israel do Egito, e durante os quarenta anos de vagueação, declararam o Senhor como o eterno Governante de Israel.
“O Senhor reinará eterna e perpetuamente.” (Ex 15:18)
Moisés, foi tão somente o homem por intermédio de quem Deus transmitiu a sua vontade ao seu povo terreno.
Como se deu esta relação? Como foi constituída?
Essa relação é constituída pela “aliança” que vinculou o povo de Israel a Deus”.
“Viste o que fiz aos egípcios, como vos levei sobre asas de águias, e vos cheguei a mim. Agora pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz, e guardardes a minha aliança, então sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos; porque toda a terra é minha; vós me sereis reino de sacerdotes e nação santa. São estas as palavras que falarás aos filhos de Israel. Veio Moisés, chamou os anciãos do povo, e expôs diante deles todas estas palavras que o Senhor lhe havia ordenado. Então o povo respondeu à uma: Tudo o que o Senhor falou faremos. E Moisés relatou ao Senhor as palavras do povo. Disse o Senhor a Moisés: Eis que virei a ti numa nuvem escura, para que ouça quando Eu falar contigo, e para também creiam sempre em ti. Porque Moisés tinha anunciado as palavras do seu povo ao Senhor.” (Ex 19:4-9)
Em Ex 20 Deus escreveu em Tábuas sua lei cujo propósito é moldar a vida do seu povo, a fim de prepará-los para a conduta apropriada, e tendo em vista a glória final de Israel, entre as nações, como a cabeça das nações.
Antes de surgir a Monarquia em Israel, profetas, sacerdotes e Juízes, foram os intermediários na expressão da Teocracia. Deus governa o seu povo através de representantes. Assim, no período de Juízes, na guerra de Israel contra Sísera, a profetiza Débora e o Juiz Baraque aparecem como agentes do livramento de Deus. (Jz 4:4-7)
Os sacerdotes, os levitas também aparecem, com freqüência, como os mensageiros da vontade divina. (Jz 20;28)
Depois do surgimento da “Teocracia institucionalizada” veio a Monarquia em Israel, a teocracia passou a se manifestar de forma muito menos direta, e o governo de Israel passou a assemelhar-se mais ao governo das nações gentílicas.
“Constitui-nos agora, um rei sobre nós, para que nos governe, como o têm todas as nações. Porém esta palavra não agradou a Samuel quando disseram: Dá-nos um rei, para que nos governe. Então Samuel orou ao Senhor. E o Senhor lhe disse: ouve a voz do povo em tudo que te dizem, pois não rejeitaram a ti, mas a mim, para que Eu não reine sobre eles.” (I Samuel 8:5b-7)
Porém, o povo não atendeu a voz de Samuel, estabeleceram o seu próprio rei, sua própria vontade, tornando-se igual as outras nações, achando assim que estavam satisfazendo os interesses de toda a coletividade.
“Porém o povo não atendeu a voz de Samuel. Disseram: não, mas haverá sobre nós um rei, para que sejamos como toas as outras nações; o nosso rei nos governará, saíra adiante de nós e fará as nossas guerras.” (I Samuel 8:19-20)
Apesar de tudo isto, Deus não desiste dos seus planos. A partir do Rei Davi, o rei passou a ser considerado o símbolo do Governo Teocrático.
Os reis de Israel não eram apenas reis no sentido comum do termo, eram “Ungidos do Senhor”, em sentido puramente teológico.
“Os reis da terra se levantam, e os príncipes se reúnem contra o Senhor, e contra o seu ungido…” (Sl 2:2) (Sl 20:6)
Considerado o rei, um príncipe do Senhor. (I Samuel 10:1) (II Samuel 5:2)
“…porque é o Senhor que saiu diante de ti.” (II Samuel 5:24)
A Monarquia existia sim, mas o governante Real é Deus, e toda autoridade do trono de Davi deriva-se do Senhor.
O trono de Davi aparece no centro da teologia bíblica, com seu reconhecimento de Deus como governante Oficial. Em sua essência, em sua intenção, o reino é um instrumento de redenção.
Agora sim, podemos entender (Mt 21:1-11) a entrada triunfal do Rei de Israel em Jerusalém, nosso amado Jesus Cristo.
O profeta Isaías setecentos anos antes do nascimento de Cristo, profetizou o objetivo desse reino:“Justiça e Paz”.
“Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o principado está sobre os seus ombros e o seu nome será: Maravilhoso, Conselheiro, Deus forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz. Do aumento do seu governo e Paz não haverá fim. Reinará sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, para o estabelecer e o fortificar em retidão e justiça, desde agora e para sempre. O zelo do Senhor dos Exércitos fará isto.”
A.Alves
É um conjunto dos que tem a seu cargo a administração de um Estado.
Governo é: regulamento, norma, “exemplo”.
Existem várias formas de governo. As mais comuns.
Democracia: “Demos” primeira porção da palavra significa “Povo”, que indica o governo entregue na mão do Povo.
Monarquia: O governo de um único homem ou de um rei.
Hierocracia: O governo dos sacerdotes.
Finalmente Teocracia; Governo de Deus.
A palavra “Théos”, Deus e “Kratéo”, governo. Governo de Deus.
Como surgiu a Teocracia? Deus reclamou o povo de Israel como sua propriedade, por havê-los remido da servidão aos egípcios.
Os grandes “atos libertadores” da época da saída de Israel do Egito, e durante os quarenta anos de vagueação, declararam o Senhor como o eterno Governante de Israel.
“O Senhor reinará eterna e perpetuamente.” (Ex 15:18)
Moisés, foi tão somente o homem por intermédio de quem Deus transmitiu a sua vontade ao seu povo terreno.
Como se deu esta relação? Como foi constituída?
Essa relação é constituída pela “aliança” que vinculou o povo de Israel a Deus”.
“Viste o que fiz aos egípcios, como vos levei sobre asas de águias, e vos cheguei a mim. Agora pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz, e guardardes a minha aliança, então sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos; porque toda a terra é minha; vós me sereis reino de sacerdotes e nação santa. São estas as palavras que falarás aos filhos de Israel. Veio Moisés, chamou os anciãos do povo, e expôs diante deles todas estas palavras que o Senhor lhe havia ordenado. Então o povo respondeu à uma: Tudo o que o Senhor falou faremos. E Moisés relatou ao Senhor as palavras do povo. Disse o Senhor a Moisés: Eis que virei a ti numa nuvem escura, para que ouça quando Eu falar contigo, e para também creiam sempre em ti. Porque Moisés tinha anunciado as palavras do seu povo ao Senhor.” (Ex 19:4-9)
Em Ex 20 Deus escreveu em Tábuas sua lei cujo propósito é moldar a vida do seu povo, a fim de prepará-los para a conduta apropriada, e tendo em vista a glória final de Israel, entre as nações, como a cabeça das nações.
Antes de surgir a Monarquia em Israel, profetas, sacerdotes e Juízes, foram os intermediários na expressão da Teocracia. Deus governa o seu povo através de representantes. Assim, no período de Juízes, na guerra de Israel contra Sísera, a profetiza Débora e o Juiz Baraque aparecem como agentes do livramento de Deus. (Jz 4:4-7)
Os sacerdotes, os levitas também aparecem, com freqüência, como os mensageiros da vontade divina. (Jz 20;28)
Depois do surgimento da “Teocracia institucionalizada” veio a Monarquia em Israel, a teocracia passou a se manifestar de forma muito menos direta, e o governo de Israel passou a assemelhar-se mais ao governo das nações gentílicas.
“Constitui-nos agora, um rei sobre nós, para que nos governe, como o têm todas as nações. Porém esta palavra não agradou a Samuel quando disseram: Dá-nos um rei, para que nos governe. Então Samuel orou ao Senhor. E o Senhor lhe disse: ouve a voz do povo em tudo que te dizem, pois não rejeitaram a ti, mas a mim, para que Eu não reine sobre eles.” (I Samuel 8:5b-7)
Porém, o povo não atendeu a voz de Samuel, estabeleceram o seu próprio rei, sua própria vontade, tornando-se igual as outras nações, achando assim que estavam satisfazendo os interesses de toda a coletividade.
“Porém o povo não atendeu a voz de Samuel. Disseram: não, mas haverá sobre nós um rei, para que sejamos como toas as outras nações; o nosso rei nos governará, saíra adiante de nós e fará as nossas guerras.” (I Samuel 8:19-20)
Apesar de tudo isto, Deus não desiste dos seus planos. A partir do Rei Davi, o rei passou a ser considerado o símbolo do Governo Teocrático.
Os reis de Israel não eram apenas reis no sentido comum do termo, eram “Ungidos do Senhor”, em sentido puramente teológico.
“Os reis da terra se levantam, e os príncipes se reúnem contra o Senhor, e contra o seu ungido…” (Sl 2:2) (Sl 20:6)
Considerado o rei, um príncipe do Senhor. (I Samuel 10:1) (II Samuel 5:2)
“…porque é o Senhor que saiu diante de ti.” (II Samuel 5:24)
A Monarquia existia sim, mas o governante Real é Deus, e toda autoridade do trono de Davi deriva-se do Senhor.
O trono de Davi aparece no centro da teologia bíblica, com seu reconhecimento de Deus como governante Oficial. Em sua essência, em sua intenção, o reino é um instrumento de redenção.
Agora sim, podemos entender (Mt 21:1-11) a entrada triunfal do Rei de Israel em Jerusalém, nosso amado Jesus Cristo.
O profeta Isaías setecentos anos antes do nascimento de Cristo, profetizou o objetivo desse reino:“Justiça e Paz”.
“Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o principado está sobre os seus ombros e o seu nome será: Maravilhoso, Conselheiro, Deus forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz. Do aumento do seu governo e Paz não haverá fim. Reinará sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, para o estabelecer e o fortificar em retidão e justiça, desde agora e para sempre. O zelo do Senhor dos Exércitos fará isto.”
A.Alves
Justica na Biblia - Tribunais no Antigo Testamento
Justiça na Bíblia – Como funcionavam os tribunais judiciais no A.T.
O direito do Estado de decretar, interpretar e executar as leis desempenha papel importante na sociedade. É difícil definir em detalhes o sistema legal no Antigo Testamento, embora as linhas básicas sejam bem claras. Como qualquer sistema legal, Israel procurou restabelecer a justiça, harmonia social e a ordem perturbada pela afronta civil ou criminal. A princípio, o tribunal judicial estava interessado em encontrar e revelar a verdade no contexto do debate legal.
1. Moisés e os Juízes: Após o Êxodo, Moisés exercia a função de juiz de Israel (Êxodo 18:12 e 16). Essa prática era baseada na família ou na lei tribal, onde o pai era responsável por preservar ou restabelecer a justiça. No caso de Moisés, essa se tornou uma responsabilidade impossível, então foi implantado um novo sistema que influenciou o sistema legal em todo o Antigo Testamento (Êxodo 18:17-27). Ele era composto por três elementos: Primeiro, as pessoas deviam aprender as leis que regulariam a nova sociedade para que agissem com responsabilidade. Segundo, havia tribunais inferiores em todo o acampamento. A jurisdição desses tribunais era restrita às pequenas causas. Os juízes eram cuidadosamente selecionados, comprometidos com o Senhor – ética e moralmente confiáveis (Êxodo 18:11). Terceiro, havia um tribunal superior onde Moisés era o juiz. Esse não era um tribunal de apelação, mas aquele onde as questões legais mais importantes eram resolvidas (Êxodo 18:22). O sistema legal foi ligeiramente modificado antes de os israelitas entrarem em Canaã (Deuteronômio 17:8-13). Os tribunais inferiores estavam localizados nos bairros ou nos portões das cidades (Deuteronômio 17:2; conforme Rute 4:1-12). Os juízes provavelmente eram os idosos do lugar. Na época, o tribunal superior funcionava no local onde estava o santuário e julgava os casos de “crimes de sangue, litígios ou agressões” (Deuteronômio 17:8, NVI). Um juiz e um sacerdote deviam decidir a questão legal e final (Deuteronômio 17:9). Durante o período dos juízes, havia juízes como governantes em cada localidade (Josué 24:1), e alguns exerciam funções judiciais (Juízes 4:4-5; 1Samuel 8:1-3).
2. O Rei como Juiz: Quando o povo pediu um rei para julgá-los, a monarquia foi instituída (1Samuel 8:20; 1Reis 3:9). Ele se tornou o juiz da terra (conforme 2Samuel 15:4), mas não podia agir sozinho. Davi nomeou juízes (1Crônicas 26:29), provavelmente para legislar em tribunais inferiores. Os tribunais dos reis eram para casos mais difíceis e, talvez, para apelação (2Samuel 14:5-10). É difícil determinar como o tribunal do rei funcionava, mas as reformas legais instituídas por Josafá podem ser úteis para nossa compreensão. Ele nomeou “juízes em cada uma das cidades fortificadas de Judá” (2Crônicas 19:5). O tribunal superior, em Jerusalém, era composto por sacerdotes, levitas e alguns dos “chefes das famílias de Israel” (2Crônicas 19:8; os anciãos). Ali eram julgados os casos mais difíceis, talvez enviados pelos tribunais inferiores (2Crônicas 19:10), que podiam ser casos religiosos, civis e criminais. O rei nomeava seus representantes para esse tribunal superior (2Crônicas 19:11). Obviamente, ele tinha sua autoridade judicial, mas não temos dados específicos.
3. Significado Teológico: Em Israel, Deus era o supremo juiz, não apenas de Seu povo, mas de todos os povos da Terra. Ele era o único que podia restaurar a justiça, a harmonia e a integridade na sociedade terrestre. Os juízes eram nomeados “não para julgar para o homem, mas para o Senhor, que estará com vocês sempre que derem um veredicto” (2Crônicas 19:6). No Novo Testamento, Jesus assume o papel de Deus como juiz universal. Ele é o juiz, o sacerdote e o rei que, por meio do Seu sacrifício revela a malignidade do mal e o amor de Deus, podendo, então, pronunciar o veredicto final na suprema corte do universo, no templo celestial, contra Seus inimigos e a favor do Seu povo.
A.Alves
O direito do Estado de decretar, interpretar e executar as leis desempenha papel importante na sociedade. É difícil definir em detalhes o sistema legal no Antigo Testamento, embora as linhas básicas sejam bem claras. Como qualquer sistema legal, Israel procurou restabelecer a justiça, harmonia social e a ordem perturbada pela afronta civil ou criminal. A princípio, o tribunal judicial estava interessado em encontrar e revelar a verdade no contexto do debate legal.
1. Moisés e os Juízes: Após o Êxodo, Moisés exercia a função de juiz de Israel (Êxodo 18:12 e 16). Essa prática era baseada na família ou na lei tribal, onde o pai era responsável por preservar ou restabelecer a justiça. No caso de Moisés, essa se tornou uma responsabilidade impossível, então foi implantado um novo sistema que influenciou o sistema legal em todo o Antigo Testamento (Êxodo 18:17-27). Ele era composto por três elementos: Primeiro, as pessoas deviam aprender as leis que regulariam a nova sociedade para que agissem com responsabilidade. Segundo, havia tribunais inferiores em todo o acampamento. A jurisdição desses tribunais era restrita às pequenas causas. Os juízes eram cuidadosamente selecionados, comprometidos com o Senhor – ética e moralmente confiáveis (Êxodo 18:11). Terceiro, havia um tribunal superior onde Moisés era o juiz. Esse não era um tribunal de apelação, mas aquele onde as questões legais mais importantes eram resolvidas (Êxodo 18:22). O sistema legal foi ligeiramente modificado antes de os israelitas entrarem em Canaã (Deuteronômio 17:8-13). Os tribunais inferiores estavam localizados nos bairros ou nos portões das cidades (Deuteronômio 17:2; conforme Rute 4:1-12). Os juízes provavelmente eram os idosos do lugar. Na época, o tribunal superior funcionava no local onde estava o santuário e julgava os casos de “crimes de sangue, litígios ou agressões” (Deuteronômio 17:8, NVI). Um juiz e um sacerdote deviam decidir a questão legal e final (Deuteronômio 17:9). Durante o período dos juízes, havia juízes como governantes em cada localidade (Josué 24:1), e alguns exerciam funções judiciais (Juízes 4:4-5; 1Samuel 8:1-3).
2. O Rei como Juiz: Quando o povo pediu um rei para julgá-los, a monarquia foi instituída (1Samuel 8:20; 1Reis 3:9). Ele se tornou o juiz da terra (conforme 2Samuel 15:4), mas não podia agir sozinho. Davi nomeou juízes (1Crônicas 26:29), provavelmente para legislar em tribunais inferiores. Os tribunais dos reis eram para casos mais difíceis e, talvez, para apelação (2Samuel 14:5-10). É difícil determinar como o tribunal do rei funcionava, mas as reformas legais instituídas por Josafá podem ser úteis para nossa compreensão. Ele nomeou “juízes em cada uma das cidades fortificadas de Judá” (2Crônicas 19:5). O tribunal superior, em Jerusalém, era composto por sacerdotes, levitas e alguns dos “chefes das famílias de Israel” (2Crônicas 19:8; os anciãos). Ali eram julgados os casos mais difíceis, talvez enviados pelos tribunais inferiores (2Crônicas 19:10), que podiam ser casos religiosos, civis e criminais. O rei nomeava seus representantes para esse tribunal superior (2Crônicas 19:11). Obviamente, ele tinha sua autoridade judicial, mas não temos dados específicos.
3. Significado Teológico: Em Israel, Deus era o supremo juiz, não apenas de Seu povo, mas de todos os povos da Terra. Ele era o único que podia restaurar a justiça, a harmonia e a integridade na sociedade terrestre. Os juízes eram nomeados “não para julgar para o homem, mas para o Senhor, que estará com vocês sempre que derem um veredicto” (2Crônicas 19:6). No Novo Testamento, Jesus assume o papel de Deus como juiz universal. Ele é o juiz, o sacerdote e o rei que, por meio do Seu sacrifício revela a malignidade do mal e o amor de Deus, podendo, então, pronunciar o veredicto final na suprema corte do universo, no templo celestial, contra Seus inimigos e a favor do Seu povo.
A.Alves
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