quinta-feira, 29 de outubro de 2020

CARTA À IGREJA DE PÉRGAMO

 CARTA À IGREJA DE PÉRGAMO
         Pérgamo: parece significar “casamento” É a igreja mundana = representa a igreja dos anos 313 à 600 d.C quando se deu a união da igreja com o Estado. Era o centro intelectual de sua época por ter sido a “cidade a construir um templo ao imperador de Roma”. Era também considerada uma cidade progressiva. O acervo de sua biblioteca com mais de “duzentos milhões” de volumes, perdia apenas para a gigantesca biblioteca de Alexandria. E isso a deixava “orgulhosa”. E também o fato de abrigar a famosa estátua de “Zeus”. O protetor da cidade. Por ser o centro de culto pagão e a capital administrativa da província romana da Ásia, grandes multidões de pessoas participavam dos eventos pagãos realizados nos templos e regalavam –se com as iguarias oferecidas aos ídolos. Um dos pontos altos dessas festividades era a promiscuidade  sexual. “A igreja sofria fortes pressões para transgredir as leis de Deus”, e aderir á adoração aos deuses romanos e gregos. Ela era  acidade mais idolatra de toda província da Ásia. Era também famosa por sua escola de medicina, o deus da saúde –“Esculápio” sib: por sua serpente era adorado aí.  
                  V.12: Esse versículo começa já anunciando os juízos mortais contra os cristãos infiéis,
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ou seja, a “espada aguda de dois fios” = Jer 47:6 eze. 21:9
Heb. 4:12. Isso se refere a sua própria palavra viva e eficaz.  
                  V.13: Jesus de sua Onisciência, sobre as obras e o seu lugar e também onde está o trono – Gr. “thronos” e Lat. “throni” = primeira categoria ele estava se destacando nessa época e reinava sobre todos, ou seja, isso é a influência de Satanás, sobre os imperadores romanos. Mas o anjo da igreja foi “fiel Gr. Pistós = firme digno de confiança”e conservou firme, “retendo, segurar, guardar em seu poder, guardar com cuidado”, ou seja não abriu mão de negar o nome de Jesus e nem negar a “fé Gr. Pistis = absoluta confiança e dependência do seu “poder , bondade, sabedoria.” Heb 12:2 = “minha fé” é de jesus          Diante de todos os problemas naquela época, o pastor não se abalou diante da morte de seu amigo ao qual era a fiel “testemunha” Gr. Marturéo testifica o que viu e ouviu que foi entre eles mortos pelos imperadores romanos.  
                  V.14: A única coisa que Jesus não estava se agradando era os que seguiam os ensinamentos de “Balão” Hb = “devorador”, o qual ensinava “Balaque Hb = devastador” a lançar tropeços diante dos filhos de Israel, para que comessem dos sacrifícios da idolatria, e se prostituíssem.  Dois males citados da parte de Balão o “caminho 2pedro1:5” “e o erro de Judas 11”. O “caminho está em Nm22 á 24. Ele queria ganhar o premio oferecido pelo rei Balaque e ao mesmo tempo agradar o Senhor Mat 6:24 Nm 31:15:16. “ Erro de Balão” = raciocinando do ponto de vista humano via um mal em Israel, e achava que Deus sendo Santo devia amaldiçoa – lo. Hoje é o mal do “racionalismo” humano dentro da igreja é querer interpretar a sua palavra pela razão, sua doutrina somente pelo seu raciocínio. A palavra Hb. “Balão” é equivalente a “Nicolau” em grego o que era “obra dos nicolaitas em 2:6” –Tornou –se “doutrina” em 2:15.
         O que ocorria em Pérgamo é que o pastor não tomava providência e deixava aqueles ensinamentos fluírem dentro da igreja e isso ia contaminando a todos.  
                  V.16: Jesus pois deu chance para q ele viesse a se “arrepender” –gr. “metánoia” = mudança da mente, do homem interior, radical e profunda da mente, de ter deixado aquilo acontecer, agora era hora de ele mudar todas as coisas, pois se isso não acontecesse, Jesus viria a ele por intermédio de uma guerra pela sua vontade e destruiria a ele e as pessoas que estavam contaminadas por tudo aquilo. “a espada da minha boca” = fala de juízo, e justiça “salmo 45:5.”
                  V.17: Esse versículo já se refere, quem ainda não se contaminou, ouça o que o E.S diz a igreja. E as promessas ao que “vencer”, ou seja, toda aquela heresia e pecado, Jesus daria do “mana” = hb = manhu, que é isto? É o alimento do reino celeste e só poderia vencer pela “fé” = I João 5:4
         Pedra branca = 1ª - nos tribunais, os juizes tinham “pedrinhas brancas” e pretas. Se o
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acusado recebia uma pedrinha preta, estava condenado; se branca estava livre ou perdoado.
         2ª Nos jogos públicos os vencedores recebiam pedrinhas brancas com seus nomes gravados nelas, isso dava – lhes direito a auxilio do governo pelo resto da vida.
         3ª pedrinhas eram fornecidos a certas pessoas para livre transito em certas regiões, situações e reuniões. Era o passe, a “entrada livre”, nesses casos especiais “novo nome” = exprime a renovação interior que torna digno dele.

Graca e Paz, Alfredo

segunda-feira, 29 de junho de 2020

CARTA Á IGREJA DE ESMIRNA

CARTA Á IGREJA DE ESMIRNA
                  “Smirna:sig: Amargura.” Era uma cidade tão fortemente dominada pelo culto ao imperador Romano que todo o cidadão tinha obrigação de reverenciar e queimar incenso “voluntariamente” a César. A conseqüência imediata por se deixar de cumprir esse mandamento era a morte. Era uma Igreja perseguida. E os crentes encontravam –se em intensa pressão por não aderir aos costumes pagãos que reinava em sua sociedade. Ela representava o período dos anos 100 a 312 d.C. A partir daí o imperador Constantino aboliu as perseguições aos Cristãos. 
                  V.8: inicio e o fim, permanece vivo.
                  V.9: Jesus sempre começa falando de sua “ Onisciência” e Jesus estava vendo o que se passava com os seus servos e suas condutas para com a obra.
         O pastor estava passando em uma grande dificuldade, devido a grande pressão dos romanos e eles estavam sofrendo por isso, e até mesmo os grandes Imperadores começaram a “retirar os seus bens materiais para q assim eles viessem a aderir os seus cultos idolatras. Pois essa igreja era perseguida devido sua conduta e bom exemplo e fidelidade para com Deus. Eles estavam em uma tremenda pobreza material, mas no sentido espiritual estavam ricos, pois o E.S estava entre eles os ajudando. “Tiago 2:5”.
         E uns dos outros problemas que acontecia era a grande “blasfêmia”, gr = “blasfhêmia” = ofensa ou calunia verbal á Deus, daqueles que se diziam ser judeus ou povo escolhido e não eram e com isso queriam transtornar a fé do pastor, com os seus ensinamentos torcidos e suas orações demoníacas, e sempre se reuniam para tentarem destruir a igreja de Deus e levantarem a sua grande “sinagoga” gr = sinagoge  = assembléia de homens, reunião ou casa de reunião para leitura, oração e explicação da escritura e correção de vida. Precisavam –se de ao menos “dez” homens para fundar uma sinagoga.
         Mas o interessante é que era a sinagoga de “Satanás” Hb = Satan = adversário de todo o bem, inimigo da raça humana sua função é  tríplice, matar , roubar, destruir. A intenção daqueles homens era destruir a fé do anjo da igreja, pois sendo assim venceriam.
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                  V.10: Jesus então dá animo para o seu servo dizendo: não tenha medo das coisas que há de “sofrer” gr = patein = “suportar”, “tolerar”, “mat.10:22”. Eis que o “Diabo” gr: dialobos= caluniador, difamação por meio de acusação conscientemente falsos. “lançará” alguns de vós na prisão. “Lançará” gr. Ekbállo = expulso, fora, com pressa e urgência e com força. “prisão” gr= psilaké = lugar em que alguém esta preso ou que é destinado a prisão. O diabo a qual se refere o texto não é o diabo da qual conhecemos, mas, sim os imperadores romanos que viviam naquela época ou seja do ano 64 – 305 d.C ao quais 10 imperadores romanos reinaram naquela época. Mais precisamente o último imperador de Roma chamado Diocleciano perseguiu o povo “por 10 anos” e tentando os fiéis para que eles viessem a se corromper e  negar a sua fé, e fidelidade para com Deus, “Tentação e provação” é o mesmo no gr. “peiramós” = “pepeipasmai” aflijo para experimentar o caráter ou provar a fé e paciência (usado de Deus), E Jesus sabendo de todos essas coisas exortou ao seu servo que permanecesse “fiel” gr= pistós= firme até que tenha que dar a vida. “até” = o fim, pois sua recompensa seria a “coroa” gr = stépsanos, “lat. Corona” = marca de nobreza ou realeza ou galardão, dado ao vencedor nos jogos atléticos gregos, poder, dignidade,. Da “vida” = gr. “dzao” plenitude absoluta de vida abençoada e eterna no Reino de Deus.
                  V.11: Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz as igrejas  gr: “os ekei ata akoúeto ina pneuma logon to ekklesia”
Entendam o que eu estou dizendo.
E aquele que vencer usando a fé, que era a única forma de vencer, e era isso que o diabo queria destruir,.Eles não receberiam o dano da segunda morte.

quinta-feira, 30 de abril de 2020

Igrejas do apocalipse - EFESO

CARTA À IGREJA DE ÉFESO
Éfeso: sig. “desejável”, era metrópole política (cidade principal ou capital de divisão territorial de um país) e comercial da província da Ásia. Era cidade marítima, seu porto era o mais importante da Ásia, por esse motivo estava sempre em contato direto com as pessoas e culturas de várias partes do mundo. Estava exposta também, a influência do mundo por parte dos visitantes que recebia de vários lugares. Havia aí , numerosos cultos pagãos, entre os quais de “Ártemis” Atos 19:24,40. Ela foi bem instruída e estabelecida na doutrina bíblica. Paulo ensinou durante três anos “ atos. 19:10; 20:31; 20:27” toda a mensagem de Deus , todo seu plano, todo seu propósito.
                  V.1: Isto diz aquele que tem na sua destra as sete estrelas, e que anda no meio dos sete castiçais de ouro. Isso significa que o pastor estava nas mãos de Jesus dizendo que ele tinha o poder sobre os Pastores e sobre toda igreja e que ele é quem trabalha e opera dentro de sua igreja.
                  V.2: Eu sei as tuas “Obras gr. Ergon”: Trabalho, ocupação, ação moral: Jesus conhece todos as coisas, e aqui ele elogia o pastor pelo seu trabalho, pela sua paciência, ou seja a virtude que ele tinha de suportar os males e não aceitava os “maus –gr. Kakós” = malvados “lat male” = o que é  contra o bem. E colocou a “prova gr. Dokimé” = caráter provado de cada um que se dizia ser apóstolo, mensageiro e não eram, esses q se diziam ser apóstolos ensinavam com a “mentira” – lat mentita” = comunicação premeditada de algo com o intuito de enganar as pessoas de dentro da igreja a viverem uma vida errada a participarem dos cultos pagãos. “Atos” 19:24-40.
                  V.3: E sofrestes, e tens paciência; e trabalhaste pelo meu nome, e não te cansaste. Devido toda aquela influência ele não se deixou levar por isso. Pois essa era a sua obrigação não aceitar o pecado entrar na igreja e muito menos as heresias, mas tinha um problema , a sua influência foi tanta que deixou o principal que era ajudar ao seu próximo. Deixou o amor do seu ser  mar.12:28, luc. 10:25.
                  V.4: deixo o primeiro “Amor” ; grego: Ágape. É o amor em que não se preocupa em receber, mas em dar. O seu esforço era tão grande contra os falsos apóstolos e o partido dentro da igreja que queriam implantar a lei da sucessão apostólica ou a substituição de um para o outro.
                  V.5:  A sua preocupação era tanta que nem se lembrava mais do grande amor Ágape. “ atos 2:41, 4:32”
                  “ Tirarei do seu lugar o teu castiçal” = poderia perder sua posição de metrópole
religiosa.
                  V.7: Ao que vencer o mal e o seu egoísmo terá vida eterna.
Arrepender gr= metanoia mudança de mente e comportamento.
         Ler sobre amor 1cor. 13:1-13= paciente , benigno, não arde em ciúme, interesse, ensoberbece, irrita, não se alegra com injustiça, tudo sofre, crê, espera, suporta. Atos 2:41-47, 4:32,35.

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Conceito do LOGOS ou verbo.

O termo Logos que vem do grego e é um dos mais importantes e pode ser traduzido como pensamento, razão, palavra, fala, conceito, discurso e conhecimento. Como exemplo, podemos dizer que se o mundo é racional é que o no mundo existe um logos.

Heráclito, filósofo grego que nasceu aproximadamente no ano 535 a.C., utiliza essa palavra, logos, na sua conhecida teoria do ser tomando ao termo logos como a grande unidade da realidade. Heráclito pede que escutemos a palavra logos, ou seja, que tenhamos paciência para que ele se manifeste por si mesma sem nenhum tipo de pressão para que ela apareça. Segundo o filósofo nós dispomos de um logos, ou da razão, que devemos utilizar para o conhecimento da realidade e a direção de nossa conduta.

Para Heráclito o logos é a razão que domina todo o universo e que faz possível a existência de ordem e regularidade no acontecimento das coisas. Para o filósofo, logos também está presente em nós e que deve servir para guiar-nos na nossa conduta e como instrumento para o verdadeiro conhecimento. Os estoicos, que provêm do estoicismo (movimento filosófico que surgiu no ano 301 a.C), acolhem esta tradição heracliteana ao considerar que o logos é o princípio divino que cria, domina e dirige a natureza e o universo.

O termo logos na comunidade cristã, já antes da redação atual do quarto evangelho, havia-se criado uma hino em que aparece o termo logos para descrever o divino mediador da criação que se fez carne. Com a ascensão da categoria logos, essa comunidade usou o termo como seu. Porém o conceito logos havia surgido no contexto cultural helenista, porém enquadrado numa perspectiva filosófica religiosa por Filón e carregado de aspectos sapientes da especulação religiosa dos judeus que dizia que Deus há direcionado sua palavra (logos) a humanidade. No entanto, ao confessar a dimensão divina do logos e ao afirmar que residia entre os homens, deu ao conceito um valor substancialmente diferente do que tinha na especulação religiosa Judeia e filosófica.

Aristóteles por outro lado apropriou-se de sentido diverso da palavra e definiu logos como um dos três modos de persuasão, o argumento da razão, em sua Ars Rethorica (Retórica). Para o autor, logos trata do próprio discurso, enquanto este prova algo, ou ao menos parece provar. Para Aristóteles, o logos seria algo mais sofisticado do que um entendimento comum, o logos diferenciaria o ser humano dos outros animais, possibilitando a compreensão do que é bom e do que é mal, do que é benéfico e do que é prejudicial e do justo e injusto no discurso, e pensamentos manifestos neste discurso, em outros seres humanos. Outros modos de persuasão são ethos e pathos, que referem-se, respectivamente, a convencer os ouvintes do caráter de alguém e apelo emocional.

Embora tenha defendido que cada uma das três formas de persuasão possa ser apropriada em determinadas situações, logos guarda certa superioridade em relação a ethos e pathos, na medida em que dados são mais difíceis de manipular do que opiniões de reputação e emoções. Esta posição é vista por muitos pesquisadores como uma resposta à Isocrates, que concentrou-se na ideia do logos em uma parceria com a filosofia para gerar uma sociedade consciente e ética. Seu objetivo, ao defender esta abordagem, foi o estabelecimento do bem comum por meio da compreensão da filosofia e aplicação do logos, com foco no discurso e razão.

Filósofos estoicos também se apropriaram do termo, cunhado o termo logos spermatikos, o princípio gerador do universo, esta forma de logos seria mais próxima de uma lei, que rege a maneira como o universo funciona, propiciando a sua fundação ao agir sobre a matéria inanimada. Um porção do logos estaria presente também nos seres humanos. Usando o termo logos em sentido mais ampla, os estoicos falaram também em um logos material, identificado com a natureza.

O conceito de logos spermatikos viria a influenciar os neoplatonistas, em sua busca por um principio. Plotino, o primeiro dos neoplatonistas, interpretou o logos como o princípio da meditação, e defendeu, em sua obra Meditações, que o logos existe como a inter-relação entre o Uno, o Espírito e a Alma, conhecidos como hypostases, a realidade fundamental que dá suporte a toda a existência. Logos seria o princípio mais elevado e os três inter-relacionados estariam em paridade, equilibrados pelo logos. Esta abordagem influenciou Agostinho de Hipona, que procurou reinterpretar Platão e Aristóteles a luz do cristianismo, para o que o conceito de logos ocupou papel de importante. Descreveu logos como "A Palavra Eterna Divina", com atributos de verdade e sabedoria, que estaria presente no messias cristão mais do que em qualquer outra pessoa.
Teólogos cristãos geralmente consideram que João 1:1 como o principal texto para suportar a crença de que Jesus é Deus, considerando a ideia de que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são iguais. Embora seja unicamente neste versículo que Jesus é chamado de "Verbo de Deus", o tema aparece por todo o Evangelho de João em variadas formas.

Embora o termo Logos não apareça como um título além do prólogo, todo o livro de João defende este argumento básico. Sendo o Logos, Jesus Cristo é Deus auto-revelado (Luz) e a redenção (Vida). Ele é Deus presente para o homem e por ele conhecido. Tomé o reconheceu como Deus quando duvidou de sua ressurreição (João 20:28), mas o Logos também é, de alguma forma, diferente de Deus, pois como disse João, "...estava com Deus". Deus e o Logos portanto não são dois seres e, por outro lado, não são simplesmente idênticos. Este aparente paradoxo permeia os evangelhos. Deus, quando age e se revela, não "exaure" o que Deus é e isto aparece em várias frases de Jesus:

    «Eu e meu Pai somos um.» (João 10:30)
    «...o Pai é maior do que eu.» (João 14:28)

Assim, o Logos é Deus ativo na criação, revelação e redenção. Jesus Cristo não apenas traz a palavra de Deus aos homens, ele "é" a palavra, o "Verbo". E este entendimento é o que foi proclamado no Credo niceno-constantinopolitano, resultado do Primeiro Concílio de Constantinopla em 381.

O teólogo Stephen L. Harris alega que João teria adaptado o conceito de Fílon de Alexandria sobre o Logos, identificando Jesus como uma encarnação do Logos divino que formou o universo (cf. Provérbios 8:22-36).

Entre os diversos versículos da Septuaginta e que adiantam o uso que será feito pelo Novo Testamento está «Pela palavra de Jeová foram feitos os céus, E pelo sopro da sua boca todo o exército deles.» (Salmos 33:6), que faz referência direta à história da criação em Gênesis. Teófilo de Antioquia faz referência a esta ligação em To Autolycus 1:7. Agostinho de Hipona considerava que, neste versículo, tanto logos ("palavra") quanto pneuma ("sopro") estava "próximos de serem personificados".

Alguns teólogos enxergam em «como no-los transmitiram os que foram deles testemunhas oculares desde o princípio, e ministros da palavra» (Lucas 1:2) uma primeira referência ao Logos e ao arche ("começo").

O Evangelho de João começa com um "Hino ao Verbo" que identifica Jesus como sendo o Logos e este, como sendo Deus. As quatro últimas palavras do versículo- literalmente "Deus era o Logos" ou "o Verbo era Deus" tem, particularmente, sido o tópico de diversos debates no cristianismo. Na frase em grego, tanto o sujeito (Logos) quanto o objeto (Deus) aparecem no caso nominativo e, assim, o complemento é geralmente diferenciado eliminando-se o artigo e colocando-o antes do verbo. Gramaticalmente, portanto, a frase poderia ser lida tanto como "o Verbo era Deus" quanto "o Verbo era um deus". Os primeiros manuscritos do Novo Testamento não faziam distinção entre caixa alta e caixa baixa, de forma que as crenças já existentes quando foram criados influenciaram a tradução, embora muitos acadêmicos vejam o movimento de "Deus" para o início da sentença como um indicador de uma ênfase mais consistente com "o Verbo era Deus".
O tema de João 1:1 - "O que era desde o princípio, o que temos ouvido, o que temos visto com os nossos olhos, o que contemplamos e o que as nossas mãos apalparam, a respeito do Verbo da vida" - seria o tema desenvolvido no primeiro capítulo de I João. Alguns autores notaram que eles compartilham as importantes palavras arche e logos. Outros afirmam que há relação entre a identificação de Jesus com logos em I João 1:1 e João 1:14. Por fim, Smalley afirma que "o primeiro verso em I João 1:1 faz referência ao Logos pré-existente e que os três seguintes, ao 'Logos encarnado'".
Logos como "verbo", "sabedoria" e a linguagem do Antigo Testamento

O Novo Testamento faz uso de diversas partes do relato sobre a "Sabedoria" no Antigo Testamento e as aplica a Jesus:
Assim como a sabedoria, Jesus existia previamente a todas as coisas e estava com Deus; A linguagem lírica sobre "a sabedoria ser o sopro do poder de Deus, refletindo a glória divina na forma de luz e sendo uma imagem de Deus", parece ser ecoada por I Coríntios 1:17-18 e I Coríntios 1:24-25 (versículos que asssociam a sabedoria divina com o poder), por Hebreus 1:3 ("sendo o resplendor da sua glória"), João 1:9 ("a verdadeira luz que, vinda ao mundo, alumia a todo o homem") e em Colossenses 1:15 ("a imagem do Deus invisível").
O Novo Testamento aplica a Cristo a linguagem sobre a importância cósmica da sabedoria como agente de Deus na criação do mundo: «Tudo foi feito por ele; e nada do que tem sido feito, foi feito sem ele» (João 1:3)
 Quarto, em face a crucificação de Jesus, Paulo transforma vivamente a noção da inacessibilidade da sabedoria divina em I Coríntios. "A sabedoria de Deus" (I Coríntios 1:21) não é apenas "misteriosa e oculta" (I Coríntios 2:7), mas também, definida pela cruz e sua proclamação, dos "estultos para o sábios do mundo" (I Coríntios 1:18-25)[22].
 Através de suas parábolas e por outros meios, Jesus ensina a sabedoria. Ele é "maior" que Salomão, o sábio do Antigo Testamento e professor por excelência.
 Há, de qualquer maneira, uma clara preferência no Novo Testamento pelo Logos como sendo a palavra dita ou uma afirmação racional, a despeito da disponibilidade desta rica linguagem e conceituação da sabedoria. João prefere falar sobre o "Verbo", um termo que oferece também uma rica complexidade de significados.

O Antigo Testamento deu uma contribuição essencial à mensagem cristológica essencial do Novo Testamento de Cristo como sendo o Logos. O Verbo está com Deus desde o princípio, é poderosamente criativo e é a personificação da expressão de Deus.
Apesar de, na literatura judaica pré-cristianismo, "sabedoria", "verbo/palavra" e, em todo caso, "espírito" serem "quase formas alternativas de descrever o poder ativo e imanente de Deus", há diversas considerações a serem feitas para entender por que João escolheu Logos ("verbo"/"palavra") e não "sabedoria".  Anunciar, portanto, que a "Sabedoria era Deus e encarnou" poderia parecer sugerir que "a Torá era Deus e encarnou". No espaço de uns poucos anos, os cristãos passariam a identificar o Filho de Deus e Logos com "lei" ou "a Lei". Mas nem João e nem nenhum outro autor do Novo Testamento o fez. O mais perto disto pode ser encontrado em Gálatas 6:2 ("lei de Cristo") e em Romanos 10:4 (que, em algumas traduções, aparece como "o fim da lei é Cristo". Para os autores do Novo Testamento, Jesus substitui a Torá e suas qualidades, principalmente a "luz" e a "vida", que agora são atribuídas a Jesus, principalmente em João. Por fim, Paulo, Lucas (especialmente nos Atos dos Apóstolos) e outras testemunhas do Novo Testamento prepararam o caminho para o prólogo de João ao se utilizarem de Logos como significando a revelação de Deus através de Cristo.

Tanto na época do Novo Testamento como depois, o "Verbo" joanino apresentou diversas possibilidades cristológicas. Primeiro, a possibilidade de identificação e distinção. Por um lado, palavras procedem de alguém que fala, uma espécia de extensão dele e são, num certo sentido, iguais a ele ("o Verbo era Deus"). Por outro, uma palavra é distinta de quem a profere ("o Verbo estava com Deus"). Portanto, Cristo é identificado com YHWH, mas é diferente dele. Em segundo lugar, Deus proferiu o Verbo Divino já desde o princípio ("desde o princípio") e o Verbo "era" (e não "se tornou") Deus. Neste contexto, "Verbo" inicia a discussão sobre a pré-existência, pessoal e eterna, de Cristo como Logos.

Em terceiro lugar, palavras revelam quem as profere. Feliz ou infelizmente, palavras expressam o que está na mente. No Antigo Testamento, "a palavra de Deus" repetidamente denota a revelação de Deus e de sua vontade. O Evangelho de João consegue, assim, passar tranquilamente do linguajar sobre "o Verbo" para se concentrar em «o Deus unigênito que está no seio do Pai, esse o revelou.» (João 1:18) Como Filho de Deus enviado pelo Pai ou o Filho do homem que desceu dos céus de uma forma única e exclusiva, Jesus revela uma sabedoria celeste.


A.ALVES








Influencia da religiao na sociedade.

Religião (do latim religio, -onis) é um conjunto de sistemas culturais e de crenças, além de visões de mundo, que estabelece os símbolos que relacionam a humanidade com a espiritualidade e seus próprios valores morais. Muitas religiões têm narrativas, símbolos, tradições e histórias sagradas que se destinam a dar sentido à vida ou explicar a sua origem e do universo. As religiões tendem a derivar a moralidade, a ética, as leis religiosas ou um estilo de vida preferido de suas ideias sobre o cosmos e a natureza humana.

A palavra religião é muitas vezes usada como sinônimo de fé ou sistema de crença, mas a religião difere da crença privada na medida em que tem um aspecto público. A maioria das religiões tem comportamentos organizados, incluindo hierarquias clericais, uma definição do que constitui a adesão ou filiação, congregações de leigos, reuniões regulares ou serviços para fins de veneração ou adoração de uma divindade ou para a oração, lugares (naturais ou arquitetônicos) e/ou escrituras sagradas para seus praticantes. A prática de uma religião pode também incluir sermões, comemoração das atividades de um deus ou deuses, sacrifícios, festivais, festas, transe, iniciações, serviços funerários, serviços matrimoniais, meditação, música, arte, dança, ou outros aspectos religiosos da cultura humana.

O desenvolvimento da religião assumiu diferentes formas em diferentes culturas. Algumas religiões colocam a tônica na crença, enquanto outras enfatizam a prática. Algumas religiões focam na experiência religiosa subjetiva do indivíduo, enquanto outras consideram as atividades da comunidade religiosa como mais importantes. Algumas religiões afirmam serem universais, acreditando que suas leis e cosmologia são válidas ou obrigatórias para todas as pessoas, enquanto outras se destinam a serem praticadas apenas por um grupo bem definido ou localizado. Em muitos lugares, a religião tem sido associada com instituições públicas, como educação, hospitais, família, governo e hierarquias políticas.

Alguns acadêmicos que estudam o assunto têm dividido as religiões em três categorias amplas: religiões mundiais, um termo que se refere à crenças transculturais e internacionais; religiões indígenas, que se refere a grupos religiosos menores, oriundos de uma cultura ou nação específica; e o novo movimento religioso, que refere-se a crenças recentemente desenvolvidas. Uma teoria acadêmica moderna sobre a religião, o construtivismo social, diz que a religião é um conceito moderno que sugere que toda a prática espiritual e adoração segue um modelo semelhante ao das religiões abraâmicas, como um sistema de orientação que ajuda a interpretar a realidade e definir os seres humanos e, assim, a religião, como um conceito, tem sido aplicado de forma inadequada para culturas não-ocidentais que não são baseadas em tais sistemas ou em que estes sistemas são uma construção substancialmente mais comum.
Dentro do que se define como religião podem-se encontrar muitas crenças e filosofias diferentes. As diversas religiões do mundo são de facto muito diferentes entre si. Porém ainda assim é possível estabelecer uma característica em comum entre todas elas. É facto que toda religião possui um sistema de crenças no sobrenatural, geralmente envolvendo divindades, deuses e demónios. As religiões costumam também possuir relatos sobre a origem do Universo, da Terra e do Homem, e o que acontece após a morte. A maior parte crê na vida após a morte.
Ateísmo é a ausência de crença em qualquer tipo de deus, muitas vezes se contrapondo às religiões teístas. Agnosticismo é a postura filosófica que afirma ser impossível saber racionalmente sobre a existência ou inexistência de deuses e sobre a veracidade de qualquer religião teísta, por falta de provas favoráveis ou contrárias. Deísmo é a crença na existência de um Deus criador, mas questiona a ideia de revelação divina.

Algumas religiões não consideram deidades, e podem ser consideradas como ateístas (apesar do ateísmo não ser uma religião, ele pode ser uma característica de uma religião). É o caso do budismo, do confucionismo e do taoísmo. Recentemente surgiram movimentos especificamente voltados para uma prática religiosa (ou similar) da parte de deístas, agnósticos e ateus - como exemplo podem ser citados o Humanismo Laico e o Unitário-Universalismo. Outros criaram sistemas filosóficos alternativos como August Comte, fundador da Religião da Humanidade.

As religiões que afirmam a existência de deuses podem ser classificadas em dois tipos: monoteísta ou politeísta. As religiões monoteístas (monoteísmo) admitem somente a existência de um único deus, um ser supremo. As religiões politeístas (politeísmo) admitem a existência de mais de um deus.

Atualmente, as religiões monoteístas são dominantes no mundo: judaísmo, cristianismo e islamismo, juntos, agregam mais da metade dos seres humanos e quase a totalidade do mundo ocidental. Além destas, o zoroastrismo, a fé bahá'i, o espiritismo e bnei noah são religiões monoteístas.
As primeiras reflexões sobre a religião foram feitas pelos antigos Gregos e Romanos. Xenofonte relativizou o fenómeno religioso, argumentando que cada cultura criava deuses à sua semelhança. O historiador grego Heródoto descreveu nas suas Histórias as várias práticas religiosas dos povos que encontrou durante as viagens que efetuou. Confrontado com as diferenças existentes entre a religião grega e a religião dos outros povos, tentou identificar alguns deuses das culturas estrangeiras com os deuses gregos. O sofista Protágoras declarou desconhecer se os deuses existiam ou não, posição que teve como consequências a sua expulsão de Atenas e o queimar de toda a sua obra. Crítias defendeu que a religião servia para disciplinar os seres humanos e fazer com que estes aderissem aos ideais da virtude e da justiça. Júlio César e o historiador Tácito descreveram nas suas obras as práticas religiosas dos povos que encontraram durante as suas conquistas militares. Nos primeiros séculos da era atual, os autores cristãos produziram reflexões em torno da religião fruto dos ataques que experimentaram por parte dos autores pagãos. Estes criticavam o facto desta religião ser recente quando comparada com a antiguidade dos cultos pagãos. Como resposta a esta alegação, Eusébio de Cesareia e Agostinho de Hipona mostraram que o cristianismo se inseria na tradição das escrituras hebraicas, que relatavam a origem do mundo. Para os primeiros autores cristãos, a humanidade era de início monoteísta, mas tinha sido corrompida pelos cultos politeístas que identificavam como obra de Satanás.

Durante a Idade Média, os pensadores do mundo muçulmano revelaram um conhecimento mais profundo das religiões que os autores cristãos. Na Europa, as viagens de Marco Polo permitiram conhecer alguns aspectos das religiões da Ásia, porém a visão sobre as outras religiões era limitada: o judaísmo era condenado pelo facto dos judeus terem rejeitado Jesus como messias e o islão era visto como uma heresia.

O Renascimento foi um movimento cultural e artístico que procurava reviver os moldes da Antiguidade. Assim sendo, os antigos deuses dos gregos e dos romanos deixaram de ser vistos pela elite intelectual e artística como demónios, sendo representados e estudados pelos artistas que os representavam. Nicolau de Cusa realizou um estudo comparado entre o cristianismo e o islão em obras como De pace fidei e Cribatio Alcorani. Em Marsílio Ficino encontra-se um interesse em estudar as fontes das diferentes religiões; este autor via também uma continuidade no pensamento religioso. Giovanni Pico della Mirandola interessou-se pela tradição mística do judaísmo, a Cabala.

As descobertas e a expansão européia pelos continentes, tiveram como consequência a exposição dos europeus a culturas e religiões que eram muito diferentes das suas. Os missionários cristãos realizaram descrições das várias religiões, entre as quais se encontram as de Roberto de Nobili e Matteo Ricci, jesuítas que conheceram bem as culturas da Índia e da China, onde viveram durante anos.

Em 1724, Joseph François Lafitau, um padre jesuíta, publicou a obra Moeurs des sauvages amériquains comparées aux moeurs des premiers temps, na qual comparava as religiões dos índios, a religião da Antiguidade Clássica e o catolicismo, tendo chegado à conclusão de que estas religiões derivavam de uma religião primordial.

Nos finais do século XVIII e no início do século XIX parte importante dos textos sagrados das religiões tinham já sido traduzidos nas principais línguas européias. No século XIX ocorre também a estruturação da antropologia como ciência, tendo vários antropólogos se dedicado ao estudo das religiões dos povos tribais. Nesta época os investigadores refletiram sobre as origens da religião, tendo alguns defendido um esquema evolutivo, no qual o animismo era a forma religiosa primordial, que depois evoluía para o politeísmo e mais tarde para o monoteísmo.

Religião na Grécia antiga diz respeito a um conjunto de crenças  que se modificou ao longo do tempo e apresentou aspectos diversos. Até onde se sabe, os gregos não possuíam nenhum livro sagrado tal como a Bíblia. A religião era uma cosmogonia em que a vivência espiritual dos gregos se sustentava em crenças formuladas a partir de fenômenos que o homem não conseguia explicar.

Nessa cosmogonia, os deuses não teriam criado o universo, mas seriam parte dele. Tudo se iniciaria com o surgimento espontâneo do Caos, da Terra, do Deus inferior Tártaro e de Eros, força que possibilitava a união entre os seres. Na sequência, teriam nascido o Escuro e a Noite e seus filhos, o Brilho e a Luz. Da Terra, surgem Céu, a Montanha e o Mar. Os doze Titãs, três Ciclopes e três hecatônquiros nascem do cruzamento entre o Céu e a Terra.

Quando se pensa em religião na Grécia antiga, é importante ter consciência de que a Grécia não era um país ou Estado — com fronteiras delimitadas, capital, idioma nacional, etc. Na época, a Grécia era formada por vários grupos e pólis, que costumavam concorrer entre si e que tinham semelhanças e diferenças, inclusive religiosas. Não existia, portanto, um conjunto de crenças estruturadas e organizadas de maneira homogênea e praticado por todos os gregos. Apesar disso, é possível listar elementos que contribuíram para a formação do padrão religioso da Grécia antiga. São eles os elementos indo-europeus  — culto a pedras, árvores e animais ; os elementos pré-helênicos, principalmente creto-micenianos — por exemplo, a infância de Júpiter e Artêmis caçadora; e os elementos orientais — figuras de Apolo, Afrodite, Hefaístos e de muitos outros deuses menores. É importante ressaltar que o início dos jogos olímpicos, em 776 a.C., marca a presença religiosa enquanto um pilar cultural grego, pois eram reuniões de caráter religioso.

Por isso é importante compreender que a religião possui conexão e ligação com todos os aspectos da vida das pessoas, seja na sociedade ou na política. Assim, a religião cumpre um papel para o indivíduo e outro para a vida coletiva, no desenvolvimento da literatura, da construção de santuários, da instalação de jogos e panegíricas pan-helênicas.

Outro aspecto da religião na Grécia antiga é que não possuía dogmas, textos ou sacerdotes que orientassem ou monopolizassem a interpretação espiritual. Há autores, por outro lado, que afirmam haver profissões de fé individuais, que atribuíam um tom particular e característico no estudo da Religião grega. As variações a respeito dos mesmos mitos seriam um sintoma dessa pluralidade da religião grega em que a compreensão de cada região sobre o mundo dos deuses. Cada pólis tinha preferência por certas divindades em seus cultos e ritos, mas compartilhavam com outras pólis algumas práticas em comum, como a realização de grandes festas.

Os gregos valorizavam os rituais, pois acreditavam que deles dependiam a sorte dos humanos. Os ritos giravam em torno do altar de sacrifícios. Estes tinham um caráter festivo — a própria palavra sacrifício significava também festa religiosa —, acompanhados de músicas, cânticos, jogos e competições. As relações de poder pertenciam ao núcleo da religiosidade grega e também se manifestavam nos rituais.

O conhecimento de que dispomos das religiões na Grécia antiga decorre de relatos diretos de gregos ou dos latinos, que, como estrangeiros, registraram aquilo que lhes era diferente e estranho. Parte significativa das informações origina-se dos estudos arqueológicos, cujas escavações revelaram detalhes do cotidiano da religião, além de algumas especificidades. Há autores, inclusive, que afirmam que as descobertas arqueológicas podem contradizer informações tradicionais presentes nas fontes gregas, como é o caso de Dioniso, cuja origem oriental foi refutado recentemente, após estudos arqueológicos identificarem-no como já conhecido em Micenas há muito tempo.

Outro aspecto importante sobre o conhecimento religioso diz respeito à questão do valor da poesia enquanto fonte puramente literária ou religiosa. A transmissão do mundo dos deuses entre os gregos se apresentava pelo canto dos poetas, com apoio musical de um instrumento, e nesse cantar o poeta poderia fazer modificações ao longo de sua exposição dos eventos. De qualquer forma, há autores que defendem que, ainda que o narrador pareça inventar tudo, não o faz de maneira aleatória, mas seguindo uma imaginação e um modo de funcionamento internamente coerente no âmbito do mito.  Nesse contexto insere-se, ainda, a mitologia, com sua ampla explicação do mundo e da natureza, preceitos rituais, ensinamentos morais e fatos políticos. Isso permite verificar a complexidade religiosa da Grécia antiga e as dificuldades na busca pela montagem de um quadro amplo e definitivo de sua religião.

A religião na Roma Antiga caracterizou-se pelo politeísmo, com elementos que combinaram influências de diversos cultos ao longo de sua história. Desse modo, em sua origem, crenças etruscas, gregas e orientais foram sendo incorporadas aos costumes já tradicionais de acordo com sua efetividade.

A ideia de efetividade de um ritual para agradar a um deus ou deuses é a ideia que permeia o cenário religioso da época. A noção de nossa sociedade de tradição judaico-cristã quanto à religião liga os rituais à fé, algo que não era levado em conta pelos romanos. Para eles os deuses simplesmente existiam, não havia necessidade de questionar esse fato.

Os deuses dos antigos romanos, à semelhança dos antigos gregos, eram antropomórficos, ou seja, eram representados com a forma humana e possuíam características como qualidades e defeitos de seres humanos.

O Estado romano propagava uma religião oficial que prestava culto aos grandes deuses, como, por exemplo, Júpiter, pai dos deuses; Marte, deus da guerra, ou Minerva, deusa da arte. Em honra desses deuses eram realizados festivais, jogos, sacrifícios e outras cerimônias. Posteriormente, diante da expansão militar que conduziu ao império, muitos deuses das regiões conquistadas também foram incorporados aos cultos romanos, assim como alguns deuses romanos foram incorporados às regiões conquistadas.

No âmbito privado, os cidadãos, por sua vez, tradicionalmente buscavam proteção nos espíritos domésticos, os chamados lares, e nos espíritos dos antepassados, os penates, aos quais rendiam culto dentro de casa.
A religião romana tinha ainda duas faces distintas, porém complementares: havia um culto público, estatal, que exercia influência significativa sobre os acontecimentos políticos e militares, e outro de caráter privado, na qual o chefe de família supervisionava os rituais domésticos e orações. Haviam festivais, de certo modo parecidos com os desfiles, onde ocorriam oferendas, atos e sacrifícios. Ao mesmo tempo haviam as práticas religiosas realizadas pelas famílias, dentro de suas casas. Muitos lares tradicionais romanos contavam com santuários no qual um deus em particular era cultuado como protetor.
Com o passar do tempo, o impiedoso sistema de conquista e exploração romano contribuiu para que sua fé não respondesse às questões mais íntimas da maioria da população. O cristianismo, por exemplo, era mais eficiente como resposta a tais questões. Assim, aos poucos, o estado antes baseado em crenças helenísticas, foi aos poucos se tornando cristão, e a antiga religião acabou por ser extinta. O último imperador romano dedicado à preservação da religião romana foi Juliano, o Apóstata (contestador, transgressor, em grego - reinou entre 360 e 363). Seu cognome já dá uma ideia da influência da Igreja Católica, que assim o apelidou devido ao sustento de uma crença que já estava em ampla decadência.



A.ALVES

sábado, 1 de julho de 2017

Mitologia grega e o cristianismo.

MITOLOGIA GREGA.
Os deuses olímpicos moravam em um imenso palácio, em algumas versões de cristais, construído no topo do monte Olimpo, uma montanha que ultrapassaria o céu. Alimentavam-se de ambrósia e bebiam néctar, alimentos exclusivamente divinos, ao som da lira de Apolo, do canto das Musas e da dança das Cárites. Apesar de nunca haver se acabado por completo, e tendo permanecido oculto na maior parte da Grécia devido à perseguição político-religiosa que sofreu, o culto dos deuses olímpicos tem sido restaurado de forma mais explícita na Grécia desde os anos 1990, através do movimento religioso conhecido como dodecateísmo.
Platão relacionava os doze deuses ao número de meses do ano, e propôs que o último mês fosse dedicado aos rituais em honra de Plutão e dos espíritos dos mortos, o que implica que ele mesmo considerasse Hades como sendo um dos Doze. Hades não consta das versões posteriores deste grupo de deuses devido a associações ctónicas óbvias. Em Fedro Platão faz corresponder os Doze com o Zodíaco e exclui Héstia.
Os doze olímpicos obtiveram a sua supremacia no mundo dos deuses, depois de Zeus ter conduzido os seus irmãos, Hera, Posidão, Deméter e Héstia, à vitória na guerra com os titãs. Ares, Hermes, Hefesto, Afrodite, Atena, Apolo, Ártemis, as graças, Hércules, Dioniso, Hebe e Perséfone eram, por sua vezes, filhos de Zeus, ainda que algumas versões dos mitos sustentem que Hefesto era filho apenas de Hera e que Afrodite era filha de Urano.
De grande influência por todo Mediterrâneo Ocidental, a religião grega foi, junto com a língua, um fator de união entre gregos, tendo também influenciado a religião dos etruscos e da Roma Antiga ou mesmo o cristianismo e outras religiões com a humanização de Deus. Os deuses gregos eram antropomórficos, tinham forma e comportamentos humanos, com virtudes e defeitos.
A religião ou religiões da Grécia Antiga era um conjunto de crenças, rituais e divindades assemelhadas. Politeístas, os gregos acreditavam em vários deuses imortais, porém não onipotentes.
Os gregos acreditavam que a natureza é povoada de gênios e o divino existia em toda a parte, podendo se manifestar como um deus que agia em favor ou em detrimento dos homens de forma inesperada e arbitrária.
Além dos deuses havia os titãs, seres anteriores e odiados pelos deuses do Olimpo; centauros, seres de metade homem e metade cavalo; ninfas, que habitavam a natureza, as dríades das árvores e do mar as nereidas; sátiros, metade homem e metade bodes; monstros ciclopes de um olho só; Cila, do mar; Caríbdis, o turbilhão; as górgonas e o Minotauro, meio homem e meio touro.
Os gregos acreditavam que a natureza é povoada de gênios e o divino existia em toda a parte, podendo se manifestar como um deus que agia em favor ou em detrimento dos homens de forma inesperada e arbitrária.
 A própria cultura ocidental tem por base a cultural grega, e isto é facilmente percebido em algumas palavras que falamos.
 Música, Eco, erótico , pornografia, grafia, gráfico, Sofia, Era, idiota, lógico, idolatria, heresia, igreja, apóstolo, bispo, presbítero,Europa , crise , metrópoles , Psicologia, psique , teologia, didático , filosofia, e muitas outras.Estas palavras tem sua origem no grego, e algumas provém da mitologia grega.
 E juntamente com as palavras também percorrem os seus pensamentos e ideologias, pois sabe-se que as palavras são signos e símbolos, os quais carregam em si um contexto social - ideológico - histórico .
Por exemplo, a palavra "Música" vem do grego "musiké téchne", “a arte das musas”. Na Grécia haviam nove entidades mitológicas chamadas de musas que eram consideradas “deusas inspiradoras da música” .
Na mitologia grega a "musica" também era usada pelas sereias, no sentido de encanto e sedução para com os navegantes.
 De forma geral na sociedade atual,a "música", tem por intenção conduzir os ouvintes a um estado de cativeiro e embriaguês dos sentidos, afim de induzir o indivíduo à uma ação manipulada. Mas Deus não usa de sedução.
Tudo aquilo que procura tirar a consciência do homem não provém de Deus, ou seja, se alguma "música" busca tirar a consciência por meio de um transe, ou que tem por objetivo tirar a liberdade de se pensar, esta "música" não provém de Deus, mas de uma mentalidade grega da utilização da "música".
Por causa dos padrões religiosos e morais das pessoas das nações, alguns dos primeiros cristãos judeus de início não queriam aceitar na congregação gentios convertidos. Assim, quando ficou evidente que Deus estava disposto a aceitar gentios, os apóstolos e os anciãos em Jerusalém deixaram claro que esses conversos precisavam se abster de sangue, de fornicação e de idolatria. (Atos 15:29) Isso era essencial para qualquer pessoa que tivesse adotado o estilo de vida grego, porque a sociedade greco-romana estava infestada de “ignominiosos apetites sexuais” e homossexualismo. Não havia lugar para essas práticas entre os cristãos. — Romanos 1:26, 27; 1 Coríntios 6:9, 10.
Dos missionários cristãos do primeiro século que pregaram no mundo grego, nenhum se destacou mais do que o apóstolo Paulo. Até hoje, pessoas que viajam para Atenas, na Grécia, podem ver ao sopé do Areópago uma placa de bronze em lembrança do famoso discurso que Paulo fez naquela cidade. Esse discurso está registrado no capítulo 17 do livro bíblico de Atos. Suas palavras introdutórias, “homens de Atenas”, eram usadas pelos oradores gregos e com certeza deixou seus ouvintes — entre eles epicureus e filósofos estóicos — à vontade. Em vez de deixar transparecer sua irritação ou criticar a fé de seus ouvintes, Paulo procurou estabelecer um bom relacionamento com eles por reconhecer que pareciam ser muito religiosos. Ele falou a respeito do altar deles “a um Deus Desconhecido” e estabeleceu uma base em comum por dizer que era sobre esse Deus que pretendia falar. — Atos 17:16-23.
Paulo tocou o coração de seus ouvintes por falar sobre coisas que não eram difíceis para eles aceitar. Os estóicos podiam concordar com ele que Deus é a Fonte da vida humana, que todos os homens são da mesma raça, que Deus não está longe de nós e que a vida humana depende de Deus. Paulo apoiou esse último ponto citando obras dos poetas estóicos Arato (Fenômenos) e Cleanto (Hino a Zeus). Os epicureus também descobriram que tinham muito em comum com Paulo — acreditavam que Deus está vivo e pode ser conhecido, que ele é auto-suficiente, não precisa de nada dos homens e não mora em templos feitos por mãos.
Os ouvintes de Paulo conheciam bem os termos que ele usou. De fato, de acordo com certa fonte, “o mundo (kósmos)”, “progênie” e “o Ser Divino” eram expressões muitas vezes usadas por filósofos gregos. (Atos 17:24-29) Não que Paulo quisesse comprometer a verdade para ganhá-los. Pelo contrário, suas observações finais sobre a ressurreição e o julgamento foram de encontro às crenças deles. Mesmo assim, ele habilmente adaptou sua mensagem, tanto na forma como no conteúdo, para torná-la atraente à sua assistência de mentalidade filosófica.

A.Alves


sexta-feira, 28 de abril de 2017

Filosofias Greco-Romanas e sua influencia no cristianismo.

A filosofia greco-romana foi a maneira com que os antigos gregos e romanos organizaram, nos últimos cinco séculos antes de Cristo, uma forma de conhecimento, um modo de reflexão ou uma teoria da realidade. Esta filosofia pode ser classificada em dois períodos: o cosmológico e o antropológico clássico.
A filosofia grega  - O Período Pré-Socrático

Desde o berço da Filosofia, em Mileto (século IV a.C.) até Sócrates,buscam o princípio constitutivo do universo. São chamados de Físicos. Abrange também o movimento sofista na estruturação da "pólis" grega. O princípio da identidade e da contradição. O que é o ser?
Período clássico - Sócrates (469-399 a.C.) – A preocupação com o homem e com o significado da existência humana. O que é o conhecimento? A busca do diálogo, a ironia e a maiêutica como métodos. O perfil do filósofo. O exercício da ironia, a crítica das tradições, os usos e costumes, do próprio regime democrático grego, decretaram a sua morte por "não acreditar nos deuses e corromper a juventude".

Platão (428-347 a.C.) O dualismo grego é sacralizado: o sensível e o espiritual, o bem e o mal, a unidade e a pluralidade. O mundo das sombras e o mundo das ideias. O mito da caverna, o Bem Supremo. A pólis exige Justiça. A "paidéia" prepara o cidadão para a "pólis". O filósofo é o mediador entre o sábio e o ignorante.
Aristóteles (384-322 a.C.) – Historiador e sistematizador de todo o pensamento grego anterior. É o criador da lógica formal e sistematizador das ciências no Organon (física, metafísica, lógica, matemática, psicologia, antropologia, ética, política etc). É tido como o maior dos filósofos gregos e um dos maiores da história da filosofia universal. Marca o apogeu da filosofia grega.
Período decadente - É composto por várias escolas que surgem com a desintegração do império helenista, a ruína da "pólis", cidade grega e o poderio crescente dos romanos. Entre estas escolas destacamos:
o helenismo; o ceticismo;o epicurismo;o cinismo;o estoicismo;o neoplatonismo.

FILOSOFIA ROMANA
Na filosofia, os romanos não produziram nenhuma corrente de pensamento original. Sua principal orientação voltou-se para a moral, com a adoção de valores éticos gregos e da filosofia helenística. Enquanto o povo romano se apegava aos mistérios da religião e à adoção de deuses estrangeiros, os homens cultos inclinaram-se para a filosofia. Influenciada pelo estoicismo e pelo epicurismo, a filosofia romana não preponderou tanto quanto a grega que foi, sem sombra de dúvida, a grande inspiradora do pensamento ocidental.
Dentre os principais filósofos destacam-se:
Sêneca (4 a 65 d.C) - natural de Córdoba, na Espanha, escreveu Cartas a Lucílio e traduziu Medéia. Foi professor de Nero que exigiu, posteriormente, que se suicidasse.

Epiteto - era escravo liberto e suas idéias foram depois condensadas no Manual de Epicteto. Marco Aurélio - o grande imperador romano, que viveu e governou entre 161 e 180 d.C., escreveu Pensamentos, destacando-se assim no campo da filosofia. Apuleio - Apuleio nasceu em Madaura, pequena mas importante colônia romana.
Roma apenas modificou a filosofia já existente na Grécia, adotando-a e, em seu ponto de vista, melhorando-a.
A filosofia greco-romana tem como objetivo compreender a própria vida, valorizando e dando conta, a partir da linguagem, da vida do homem tal como ela é e acontece. Carrega assim, a tarefa do homem compreender a totalidade de sua vida, construindo os significados conscientes de sua existência.
Para o mundo grego-romano a filosofia e a vida são inseparáveis porque a antropologia aparece na história da filosofia em tempos um tanto recentes, aquilo que ele designa foi sempre objeto de estudo em todos os períodos da história. Antropológicamente a filosofia grego-romana assume um dado novo: não pode existir se não tiver uma relação íntima com o problema da existência. Ou seja, a filosofia terá sustentação  se for apresentada em função dos problemas da vida. E estas questões (problemas) são sobre o próprio homem, partindo de suas experiências.
AS CONTRIBUIÇÕES DOS ROMANOS
A contribuição política anterior à vinda de Cristo foi basicamente obra dos romanos. Esse povo, seguidor do caminho da idolatria, dos cultos de mistérios e do culto ao Imperador, foi usado por Deus, a quem ignoravam, para cumprir a sua vontade. Os Romanos, como nenhum outro povo até  então, desenvolveram um senso de unidade da humanidade sob uma lei universal. Esse senso de solidariedade do homem no império criou ambiente favorável à aceitação do evangelho que proclamava a unidade de espécie e que a todos era oferecida a salvação que os integra num organismo universal, a Igreja, o corpo de Cristo.
As suas principais contribuições foram: Domínio Mundial de Roma; Os povos unificados; a paz universal – pax romana; a importância das cidades; Intercâmbio entre os vários povos.
O Domínio Mundial de Roma.
O objetivo dos romanos era ter a supremacia sobre toda a costa do Mediterrâneo, com a finalidade de, nos meses de inverno, ter uma rota segura até o Egito (celeiro do império) Em vista disso conquistaram todos os povos entre Roma e o Egito, portanto, circundaram o Mediterrâneo.
Os habitantes desse império o consideravam abrangendo o mundo, pois ignoram o que exista além das suas fronteiras. Além disso, o mundo romano incluía todas as terras que seriam alcançadas pelo Cristianismo durante os três primeiros séculos da era cristã. Nos anos de 50 d.c, o império abrangia a Europa ao sul do Reno e do Danúbio, a maior parte da Inglaterra, o Egito e toda a costa norte da áfrica, com grande parte da Ásia desde o Mediterrâneo à Mesopotâmia.
Unificação dos Povos.
Por muitos séculos, governos separados tinham formado agrupamentos humanos que se sentiam diferentes e isolados de todos os grupos; mas, com o Império Romano, os povos unificaram-se, no sentido de que todos os governos tinham sido derrubados e um poder único dominava em toda parte. Os Romanos, como nenhum outro povo até então, desenvolveram um sentido da unidade da espécie sob uma lei universal. Essa unificação foi possível graças à administração centralizada que Roma outorgava aos povos sob seu domínio. Existiam províncias diretamente subordinadas ao senado, ao Imperador.
Paz Universal – Pax – Romana
O momento histórico do nascimento de Jesus estava caracterizado pela  pax - romana.Por algum tempo, Roma já vinha travando inúmeras batalhas e guerras, entretanto foi chegada à hora em que os cidadãos e governantes estavam exaustos de tantas guerras. Famílias eram desfeitas, soldados passavam muitos tempos nas fronteiras era um investimento muito alto para manter um exército poderoso, tudo isso contribuiu para um sentimento de paz entre os romanos. Essa paz desejada por todos foi instituída por Otaviano, mais tarde Augusto. Durante os domínios de Augusto, Tibério e Cláudio, imperou a paz em Roma. As guerras entre as nações tronaram-se quase impossíveis sob a égide desse poderoso império. Essa paz entre os povos favoreceu extraordinariamente a disseminação, entre as nações, da religião que pretendia um domínio espiritual universal.
Como podemos observar Roma vivia um tempo de paz e com as ausências de guerras, foi um momento universal para Roma contribuir com a expansão do cristianismo, todavia as guerras também influenciaram na prosperidade da nova religião. As conquistas romanas levaram muitos povos à falta de fé em seus deuses, uma vez que eles não foram capazes de protegê-lo dos romanos. Os romanos possuíam uma crença especial e somente adoravam o imperador, ficando os povos conquistados carentes espiritualmente, sendo deixados num vácuo espiritual que não era satisfeito pelas religiões de então. Durante toda a Idade Antiga, as guerras eram batalhas entre deuses. Até os judeus assim consideravam o seu Deus “Senhor dos Exércitos”.
Intercâmbios entre os vários povos
O Intercâmbio só foi possível a outros povos devido os grandes investimentos viários, o que levaram a Roma ter mais poder, onde possibilitou as viagens empregando dois meios práticos. A presença militar romana para combater os salteadores em terra firme e os piratas nos mares.  A administração romana tornou fáceis e seguras às viagens e as comunicações entre as diferentes partes do mundo. 

A religião romana era politeísta, ou seja, acreditava em muitos deuses, que poderiam ser domésticos e públicos.
a. Os domésticos: deuses da família, das refeições e das almas dos antepassados;
b. Os públicos: assimilados do culto grego, dando-lhes nomes diferentes;       Segundo a história secular de Roma e a narrativa da Bíblia  Novo Testamento, quando Cristo nasceu, o imperador Romano era augusto, fundador do império. As origens do cristianismo encontram-se nos ensinamentos de Jesus de Nazaré e tem como princípios fundamentais o monoteísmo, crença na ressurreição do corpo e no Juízo Final, o amor ao próximo e a igualdade entre os homens. Foi nas camadas urbanas que encontrou mais adeptos.
 Segundo Lucas, Jesus nasceu em Belém porque na época, o imperador Augusto obrigou seus súditos a se registrar no primeiro censo do império, dessa forma todos deveriam retornar à cidade de origem para se alistar. Como a família de José era de Belém, ele voltou para sua cidade, levando Maria já grávida. Jesus nasceu em Belém pouco tempo depois, numa manjedoura. (BIBLIA, N.T.Lucas,2:1-7)
Como religião oficial, o Cristianismo sofreu muitas transformações, tornando-se uma poderosa instituição de um Império decadente. Muita coisa mudou em Roma com o advento e a vitória do cristianismo. As mudanças foram classificadas da seguinte forma: Deus era um ser único, universal, dispensado os outros deuses. A religião passou a ter um grande objetivo proposto à fé, a religião era nacional, destinava-se à humanidade inteira; não era a religião doméstica, de uma família. O Sacerdócio deixou de ser hereditário e o culto não foi mais mantido em segredo. Durante a monarquia e a república, a religião e o estado eram uma só entidade. O Cristianismo separou a religião do estado. O direito à propriedade foi mudado na sua essência: a propriedade não derivou mais da religião, mas do trabalho.

A CONTRIBUIÇÃO DOS GREGOS PARA O CRISTIANISMO.

A Grécia e um povo que surgiu há mais de quatro mil anos, em uma região excessivamente acidentada da Península Balcânica passou a abrigar vários povos de descendência indo- européia. Aqueus, eólios e jônios foram às primeiras populações a formarem cidades autônomas que viviam do desenvolvimento da economia agrícola e do comércio marítimo com as várias outras regiões do Mar Mediterrâneo.
Embora tenha sido importante para a preparação da vinda de Cristo, a contribuição de Roma foi ofuscada pelo ambiente intelectual criada pela mente grega. A cidade de Roma pode ser identificada com o ambiente político do cristianismo, mas foi Atenas que ajudou a criar um ambiente intelectual propício à propagação do Evangelho. Os Gregos influenciaram o Império Romano intelectualmente.
Língua Universal
A partir de um desenvolvimento e de uma simplificação da língua ática, falada em Atenas no tempo dos poetas trágicos e de Platão, nascera assim chamada koiné ou dialeto comum. Era usada para todos os fins no intercâmbio popular. Quem quer que falasse seria entendido em toda parte, especialmente nos grandes centros, onde primeiros missionários pregaram quase sempre nessa língua, e nela foram escritos os livros neo-testamentários conforme Wikipeia:
O grego helenístico ou koiné no grego moderno , literalmente "koiné helenístico", é a forma popular do grego que emergiu na pós-Antiguidade clássica (c.300 a.C – AD 300). Outros nomes associados são alexandrino, patrístico, comum, bíblico ou grego do Novo Testamento.
 Os nomes originais foram koiné, helênico e macedônio (macedônico). Desenvolveu-se a partir do dialeto ático, falando na região da Ática (onde se encontra Atenas), embora tenha grande influência de elementos do jônico. O koiné foi o primeiro dialeto comum supra-regional na Grécia, e chegou a servir como um língua franca no Mediterrâneo Oriental e no antigo Oriente Próximo ao longo do período romano. Foi também a língua original do Novo Testamento da Bíblia e da Septuaginta (tradução grega das escrituras judaicas). O koiné é o principal ancestral do grego moderno.
Este dialeto popular foi à verdadeira língua do homem da rua, do estudante, do escritor, do comerciante, do cidadão comum, um dialeto que todos podiam entender. Esta língua foi distinguida de formas: O koiné literário e o Popular.
O evangelho universal precisava de uma língua universal para poder exercer um impacto real sobre o mundo. Assim como o inglês no mundo moderno e o latim no mundo medieval erudito, o grego era a língua universal no mundo antigo. Na época em que surgiu o Império Romano, os romanos mais cultos falavam gregos e latim.
Entretanto, devemos considerar que o koiné era, também, um dialeto urbano. Nas aldeias da Galiléia, o aramaico presumivelmente ainda era á língua dominante. Quando o cristianismo, em suas formas urbanas, eventualmente penetrava nas culturas s aldeias, os documentos gregos precisavam ser traduzidos para as línguas autóctones, inclusive, ironicamente, o aramaico, agora um dialeto falado na região da Síria.
Os Gregos contribuíram com uma linguagem mais popular para a expansão do Evangelho, onde precisava de uma língua universal para poder exercer um impacto real sobre o mundo. Os seres humanos têm procurado, desde a torre de babel, criar uma língua universal para que possam comunicar suas idéias uns aos outros sem problemas.
Ao surgir o cristianismo, os povos que habitavam as regiões do Mediterrâneo tinham sido profundamente influenciados pela cultura helênica, a qual tinha seu lugar nas cidades do império onde se concentravam o comércio e o trânsito, possibilitando a aquisição de riquezas e o desenvolvimento de uma vida de bem-estar.
Uma das grandes evidências do povo grego foi à tradução dos escritos hebraicos para o grego, a qual foi chamada a tradução de Septuaginta:
Os judeus sempre foram muito fiéis à tradução de manter os oráculos em sua própria língua e, por esse motivo, não permitiram que os livros sagrados fossem traduzidos para outro idioma. Todavia, muitos anos depois, essa atitude exclusivista e ortodoxa teria de dar lugar a um senso mais prático e liberal.
Um dos grandes colaboradores para a expansão do evangelho foi Alexandre o Grande, mesmo depois de morto, ele deixou um legado onde foi seguido por um dos seus Generais há executar a tradução do livro sagrado dos judeus para o grego.
A tradução grega foi feita por 72 sábios judeus (por isso o seu nome Septuaginta), na cidade de Alexandria, a partir do ano 285 a.C. Da seleção desses 72 sábios seis eram de cada tribo de Israel, os quais foram enviados a Alexandria. Os sábios judeus se isolaram em locais preparados antecipadamente e ali traduziram o Antigo Testamento para o grego. Isso ocorreu por volta do ano 250 a.C. 

Filosofia Grega.
A filosofia grega preparou o caminho para a vinda do cristianismo por ter levado à destruição as antigas religiões. Qualquer um que chegasse a conhecer seus princípios, fosse grego ou romano, logo perceberia que sua disciplina intelectual tornou a religião tão ininteligível que acabava abandonando-a em favor da filosofia. O advento da filosofia grega materialista no século VI a. C. destruiu a fé das pessoas no velho culto politeísta, como descrito na ilíada e na Odisséia de Homero.
Após investigarmos a historia dos gregos ficou evidente cientificamente que o idioma universal, tornou possível levar o evangelho á maioria das pessoas do Império numa língua comum a eles e ao pregador. Na época a Palestina era o berço da nova religião, tinha localização estratégica nesse mundo.
Paulo estava certo ao enfatizar que o cristianismo “não se fez em qualquer canto” (At.26.26), porque a palestina era um importante cruzamento que ligava os continentes da Ásia e da África com a Europa por via terrestre.
O Domínio Mundial de Roma, Unificação dos Povos, Paz Universal ou a Pax-Romana e, Intercâmbios entre os vários povos. Os Gregos contribuirão para o Cristianismo com: A língua universal que foi a partir de um desenvolvimento e, de uma simplificação da língua ática, que era fala em Atenas, na época de Platão, onde nasceu a língua chamada Koiné, este dialeto foi usado para fins de intercâmbios com outros povos. Na Filosofia foram acrescentados os valores do saber para a expansão do cristianismo. Os Judeus Contribuirão com: O Monoteísmo, o Sistema Ético, Antigo Testamento,  Filosofia da História e com as sinagogas onde os cristão se reunião para discutir sobre o Cristianismo. Estes foram os povos relacionados à época que contribuirão e presenciarão os grandes acontecimentos com o surgimento do Cristianismo que, surgiu no período Imperial que foi do século 1 a.C até o século IV d.C, que uniu o mundo Antigo e criou as condições favoráveis para a aceitação do Evangelho de Cristo.


A.Alves